Política

Novo secretário dos EUA para América Latina já criticou Moraes

Juan Pablo Segura assume comando das relações com o Brasil em meio à pior crise diplomática em dois séculos
Crise diplomática: secretário EUA para América Latina critica Moraes em pior impasse em dois séculos

O republicano Juan Pablo Segura assumiu na sexta-feira (14) o cargo de secretário-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, posto que define a política dos EUA para o Brasil e a América Latina. Ele substitui o embaixador interino Michael Kozak.

A posse foi anunciada oficialmente nesta segunda-feira (17), em meio à pior crise diplomática entre os dois países em décadas. No dia 4 de agosto, os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em resposta à demora do Brasil em conceder o aval diplomático para a nomeação de Daniel Perez como embaixador americano no país.

Um crítico declarado do Brasil

Antes de assumir o cargo, Segura já havia feito críticas públicas ao país. Em fevereiro de 2025, dias depois de o ministro Alexandre de Moraes multar o X em R$ 8 milhões por se recusar a fornecer dados cadastrais de um perfil atribuído ao blogueiro Allan dos Santos — e determinar a retirada da conta do ar —, ele publicou nas redes sociais que “bloquear o acesso a informações e aplicar multas a empresas sediadas nos EUA por se recusarem a censurar pessoas que vivem nos Estados Unidos é incompatível com valores democráticos, incluindo a liberdade de expressão”. O post foi comentado por Elon Musk, dono do X, com emojis de apoio.

Nesta segunda-feira, já no novo posto, Segura afirmou nas redes sociais que pretende colocar em prática a visão de Trump para a América Latina. “Junto com nossa excepcional equipe, impulsionaremos a visão do presidente Trump para que nossa região esteja a salvo dos cartéis e dos narcoterroristas, se gere prosperidade para os americanos e nossos associados e se assegurem nossas fronteiras”, escreveu. Em outra publicação, agradeceu Kozak por “mais de 18 meses de serviço” à frente do escritório.

A troca de comando ocorre dias depois de o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil — nomes apontados pelo Washington Post como parte de uma missão para questionar o sistema eleitoral brasileiro antes da eleição de 2026, o que os EUA negam.

O momento é sensível: em setembro do ano passado, o próprio número dois do Departamento de Estado já classificou a relação entre Brasil e EUA como a pior em dois séculos.

Quem é Juan Pablo Segura

Filiado ao Partido Republicano, Segura concorreu a uma cadeira no Senado estadual da Virgínia em 2023, mas foi derrotado por um candidato democrata. Dois anos depois, foi nomeado secretário de Comércio e Desenvolvimento Econômico da Virgínia pelo governador republicano Glenn Youngkin, cargo em que cuidava de comércio internacional e atração de investimentos.

Antes do serviço público, Segura passou a maior parte da carreira como empreendedor: em 2014, fundou a Babyscripts, empresa de tecnologia voltada ao acompanhamento de gestantes e mães no pós-parto.

A chegada de Segura ao comando para a América Latina se soma a outras mudanças na representação diplomática americana: em maio, Washington já havia trocado a encarregada de negócios na embaixada em Brasília. A indicação de Segura havia sido feita por Trump em abril, passou por audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado em junho e foi confirmada neste mês.

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