O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, declarou que a relação entre Brasil e Estados Unidos está no “ponto mais sombrio em dois séculos”. A afirmação foi feita após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo STF. Divergências recentes em comércio, meio ambiente e política externa contribuíram para o esfriamento das relações bilaterais.
Críticas e declarações de autoridades
Durante evento em Washington, Christopher Landau apontou que as tensões entre Brasil e Estados Unidos se agravaram devido a desacordos em fóruns internacionais e críticas mútuas. Landau afirmou que os EUA condenam “o uso da lei como arma política” e acusou o ministro Alexandre de Moraes de devastar o Estado de Direito no Brasil. “Enquanto o Brasil deixar o destino de nosso relacionamento nas mãos do Juiz Moraes, não vejo solução para esta crise”, publicou em rede social.
O presidente Donald Trump também se manifestou, classificando como “terrível” a condenação de Bolsonaro e dizendo estar “muito insatisfeito” com o julgamento. Trump comparou o caso de Bolsonaro com processos judiciais que ele próprio enfrentou, afirmando: “Eu o conheci como presidente do Brasil e ele é um bom homem”.
O secretário de Estado, Marco Rubio, prometeu resposta à “caça às bruxas” contra Bolsonaro, alegando que as “perseguições políticas do violador de direitos humanos Alexandre de Moraes, sancionado, continuam”. O Itamaraty reagiu, classificando o post de Rubio como ameaça e reafirmando a defesa do Brasil contra “agressões e tentativas de interferência”.
Impactos econômicos e desdobramentos
As divergências comerciais ganharam força em julho, quando Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, justificando a medida pela “caça às bruxas” contra Bolsonaro. Também foi aberta uma investigação comercial contra o Brasil por supostas práticas desleais.
Na terça-feira (9), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os EUA estão dispostos a “usar meios militares” para proteger a liberdade de expressão, citando o julgamento de Bolsonaro como exemplo. “A liberdade de expressão é a questão mais importante dos nossos tempos. Presidente Trump leva isso muito a sério, e por isso tomamos ações contra o Brasil”, disse Leavitt.
Condenação e julgamento
A Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Outros sete réus também foram condenados, incluindo Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Souza Braga Netto.
O julgamento contou com votos de Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Houve divergências em pontos específicos, como no caso de Ramagem e Mauro Cid. O Itamaraty reforçou que ameaças externas não intimidarão a democracia brasileira.
Perspectivas
Apesar do clima tenso, autoridades americanas expressam otimismo quanto à retomada da cooperação em áreas como segurança regional e inovação tecnológica, desde que haja avanços no diálogo e respeito mútuo.