A diplomata de carreira Natasha Franceschi será a nova encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Ela assume o posto em julho, quando Gabriel Escobar retorna aos EUA.
Washington mantém a representação em Brasília sob o comando de uma chargé d’affaires — e não de uma embaixadora —, o que dispensa o chamado agrément, o aval formal do governo brasileiro exigido para a indicação de embaixadores.
O Itamaraty ainda não foi comunicado oficialmente sobre a mudança.
Franceschi ocupa o posto de ministra-conselheira no Serviço Exterior americano e tem passagem recente pelo Departamento de Estado, onde atuou como subsecretária assistente para o Levante e Síria. Antes, foi encarregada de negócios e número dois da embaixada americana em Túnis por cerca de três anos e serviu como vice-chefe de missão na Eslováquia.
A carreira da diplomata inclui a direção do escritório para o Cáucaso e conflitos regionais, além de postos em Bagdá e na missão dos EUA junto à OTAN, com foco nas relações com países do Oriente Médio e do Norte da África. Ela também atuou em Paquistão, Cazaquistão, Bósnia e Rússia.
Protocolo sem agrément
Ao contrário do que ocorre com embaixadores, a nomeação de uma encarregada de negócios não exige o agrément — a carta de acordo que representa o aval formal do país receptor. No caso de Franceschi, a Embaixada americana precisará apenas enviar uma nota diplomática ao Itamaraty comunicando a chegada da diplomata e o início de suas funções.
A chegada de Franceschi acontece em momento delicado para a relação bilateral. Há menos de duas semanas, Brasil e EUA iniciaram formalmente as negociações comerciais após a cúpula Lula-Trump, com prazo de 30 dias para compromissos concretos — agenda que a nova encarregada de negócios herdará ao assumir o posto em julho.
A decisão de Washington de manter uma chargé d’affaires em Brasília, em vez de nomear um embaixador, é uma escolha da administração Donald Trump e reforça o caráter interino da representação americana no país. Apesar do título, a posição confere plenos poderes de representação diplomática — sem o peso simbólico de uma embaixada chefiada por um embaixador formalmente designado.
