O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou ao Parlamento nesta terça-feira (18) que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos cumpram as condições do acordo provisório assinado com Teerã em junho.
A declaração vem um dia após autoridade iraniana informar à Reuters que o país adotou uma postura totalmente ofensiva e ameaça intensificar as tensões na região caso a diplomacia com Washington fracasse.
Cronograma e bloqueio militar
Segundo a autoridade iraniana ouvida pela Reuters nesta segunda-feira (17), o governo pretende divulgar em breve um cronograma com prazo para que as tropas americanas interrompam o bloqueio militar imposto aos portos do país. Teerã afirma que, se a diplomacia com os Estados Unidos não avançar, a resposta será uma escalada das tensões no Estreito de Ormuz e em toda a região.
A postura mais dura ecoa a linha que Qalibaf já vinha adotando desde março, quando prometeu destruir “de forma irreversível” infraestruturas críticas no Oriente Médio caso as ameaças americanas se concretizassem, posição que o consolidou como porta-voz da linha-dura do regime.
O impasse atual contrasta com dois movimentos recentes de distensão: em abril, durante o cessar-fogo, o Irã chegou a reabrir totalmente o Estreito de Ormuz, e em maio repetiu o gesto após os EUA suspenderem uma operação militar na região, episódio que pavimentou as negociações que resultaram no acordo provisório de junho, cujo cumprimento Teerã agora cobra.
Escalada de retórica com Trump
Na sexta-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende declarar em breve o Estreito de Ormuz como território americano, discurso que representa nova escalada da pressão sobre o Irã, mesmo com o direito internacional impedindo qualquer país de tomar posse do estreito por meio de declaração unilateral. No mesmo dia, o governo iraniano respondeu que a rota está sob autoridade do país e que ameaças americanas não intimidam Teerã.
No dia 8, o Irã já havia divulgado sua lista de exigências para reabrir integralmente o Estreito, incluindo uma indenização financeira que Trump ironizou publicamente. Em entrevista à Fox News, o republicano voltou a afirmar que os EUA vão atingir o Irã com força na área econômica, declaração feita um dia depois de o secretário do Tesouro, Scott Bessent, dizer que Washington prepara contra Teerã medidas “nunca vistas”, que podem ser anunciadas já na próxima semana.
Uma rota de importância global
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, dando acesso ao Mar Arábico e ao Oceano Índico, e é uma das principais rotas de exportação de petróleo do mundo. Suas águas são divididas entre a soberania do Irã e de Omã, mas a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que o Irã assinou mas não ratificou, garante a navios e aeronaves de outros países o direito de passagem por estreitos usados na navegação internacional.