O governo dos Estados Unidos voltou a discutir a aplicação de novas sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, revelou o jornal britânico Financial Times neste domingo (16), citando fontes familiarizadas com o assunto.
A hipótese reacende a crise diplomática aberta em julho de 2025, quando Washington aplicou pela primeira vez sanções ao magistrado brasileiro sob a Lei Magnitsky, mecanismo usado para punir violações de direitos humanos.
As sanções de 2025 bloquearam bens de Moraes nos Estados Unidos e proibiram transações financeiras com o ministro. A medida foi uma resposta direta à atuação do magistrado na condução do julgamento que levou à condenação e à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, considerado culpado por tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.
A punição, no entanto, teve vida curta: o próprio governo americano revogou as sanções contra Moraes em dezembro do mesmo ano, recuo que não impediu a articulação de aliados de Bolsonaro para reabrir o tema junto à Casa Branca. Em abril, bolsonaristas já pressionavam o entorno de Trump para reativar a Lei Magnitsky contra o ministro — articulação que, segundo o Financial Times, parece ter avançado dentro do próprio governo americano.
Quando as sanções foram aplicadas pela primeira vez, em julho de 2025, o governo Trump chegou a bloquear bens do ministro nos EUA e vetar transações financeiras com ele, ampliando a crise diplomática entre Brasília e Washington. Na ocasião, Moraes reagiu com desafio, afirmando que o cronograma do julgamento de Bolsonaro seguiria inalterado apesar da pressão externa.
O Financial Times não detalha se as novas sanções em discussão seguiriam o mesmo formato de 2025 nem qual seria o prazo para uma decisão. A informação reacende a expectativa de nova escalada na relação entre o STF e o governo americano, num momento em que o tema segue mobilizando setores da política brasileira alinhados a Bolsonaro.