Política

Governo Lula reage a sanções dos EUA e Copom mantém Selic em 15 ao ano

Sanção inédita a Moraes, tarifaço desidratado e resposta firme do STF e do Itamaraty marcam semana de tensão entre Brasil e Estados Unidos

O governo Lula e o STF reagiram após os Estados Unidos sancionarem Alexandre de Moraes com base na lei Magnitsky. O presidente Donald Trump oficializou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, mas incluiu exceções. O Copom manteve a Selic em 15% ao ano diante do cenário instável.

As medidas americanas são vistas como retaliação política e provocaram respostas firmes do presidente Lula, do ministro Mauro Vieira e do presidente do STF, Luís Roberto Barroso.

Sanção dos Estados Unidos a Alexandre de Moraes

O governo dos Estados Unidos anunciou sanção ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, com base na lei Magnitsky, que permite punições a estrangeiros acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos. As punições incluem bloqueio de bens em território americano, proibição de entrada nos EUA e restrições a transações financeiras com empresas americanas.

A medida é inédita e representa uma escalada sem precedentes nas relações bilaterais. Moraes é relator de processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, inclusive sobre a tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

Reação do STF e do governo brasileiro

O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, classificou a sanção como tentativa de intimidação do Judiciário brasileiro. Em nota oficial, afirmou que a medida é um “ataque à soberania nacional” e declarou que o Brasil não aceitará ingerência externa sobre suas instituições.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também reagiram. Lula considerou “inaceitável” a interferência dos EUA no Judiciário brasileiro e afirmou que as medidas têm motivação política e colocam em risco a soberania nacional. Mauro Vieira declarou ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que o Brasil não se curvará a pressões externas.

Tarifaço de Trump e efeitos econômicos

O presidente Donald Trump assinou ordem executiva oficializando tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA. A medida foi desidratada em relação à proposta inicial, com exceções para itens como suco de laranja, combustíveis, veículos, aeronaves civis e determinados tipos de metais e madeira. Apesar da redução no escopo, empresários brasileiros demonstram preocupação com o impacto nas exportações no segundo semestre.

A decisão é vista como retaliação ao governo Lula e ao STF, além de tentativa de agradar a base eleitoral trumpista alinhada ao bolsonarismo.

Copom mantém Selic em 15% ao ano

Em meio à instabilidade política e econômica, o Copom do Banco Central manteve a taxa básica de juros em 15% ao ano, decisão unânime que reflete cautela diante do cenário externo incerto e da pressão inflacionária interna. O comunicado do Copom destacou que a manutenção da taxa é necessária para garantir a convergência da inflação à meta, e que novos cortes dependerão do cenário fiscal e da política monetária global. O mercado financeiro recebeu bem a decisão, já esperando uma postura conservadora do Banco Central.

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