Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro intensificaram articulações com o entorno de Donald Trump para tentar reativar a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Paulo Figueiredo, próximo a Eduardo Bolsonaro e residente nos Estados Unidos, diz ver o Brasil “cavando uma nova briga” com Trump — e aponta as sanções da lei americana como o cenário mais provável de retaliação ao país.
A decisão cabe ao governo Trump. Figueiredo avalia que não há expectativa de retomada de tarifas comerciais contra o Brasil, o que poderia ser explorado eleitoralmente pelo governo Lula.
Moraes foi incluído na Lei Magnitsky em julho de 2025, no contexto das pressões sobre o julgamento de Bolsonaro no STF. Sua mulher, Viviane de Moraes, entrou na lista em setembro. Em dezembro, ambos foram retirados das sanções.
A lei americana autoriza os Estados Unidos a impor restrições a cidadãos estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou corrupção em larga escala. As sanções funcionam como uma “pena de morte financeira”: o alvo fica impedido de usar cartão de crédito de qualquer grande bandeira que opere nos EUA.
A aplicação contra Moraes foi inédita — a primeira vez que sanções dessa magnitude atingiram uma autoridade brasileira.
A profundidade do impacto pode ser medida pelo que veio à tona meses depois: o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, revelou à CPI do Crime Organizado que todas as suas reuniões com Moraes em 2025 giraram exclusivamente em torno da crise desencadeada pelas sanções. Galípolo disse à CPI que os encontros com Moraes foram pautados inteiramente pela crise da Magnitsky.
Segundo Figueiredo, a articulação faz parte de uma estratégia mais ampla: o objetivo final é conseguir o impeachment de ministros do STF. Na avaliação do bolsonarista, há ambiente político entre os interlocutores de Trump para avançar nessa direção.
O esforço de articulação junto ao entorno de Trump ocorre num momento de intensa movimentação judicial. Eduardo Bolsonaro, figura central nessa rede de interlocução e residente nos EUA desde fevereiro de 2025, enfrentava no STF um interrogatório por suposta interferência no julgamento do pai.
O pano de fundo é a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por planejamento e articulação de atos golpistas para impedir a posse de Lula após as eleições de 2022 — exatamente o contexto que motivou as sanções originais da Magnitsky contra Moraes.