Política

Criador da Lei Magnitsky critica sanção dos EUA contra Alexandre de Moraes

William Browder afirma que uso da lei contra ministro do STF é desvio de finalidade e pode ser revertido na Justiça dos EUA

O executivo britânico William Browder, idealizador da Lei Magnitsky, afirmou que a sanção dos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes é um abuso da intenção original da legislação. Browder destacou que a medida, anunciada na quarta-feira (30), tem caráter político e não se encaixa nos critérios de violação de direitos humanos para os quais a lei foi criada.

Segundo Browder, há chances de reversão da decisão nos tribunais americanos, pois o Judiciário é independente e pode anular sanções aplicadas de forma abusiva. O criador da lei também rebateu críticas de apoiadores de Jair Bolsonaro, alegando que muitas reações são de perfis automatizados.

Origem e propósito da Lei Magnitsky

A Lei Magnitsky foi aprovada nos Estados Unidos em 2012, durante o governo de Barack Obama, para punir autoridades russas envolvidas na morte do advogado Sergei Magnitsky. O advogado, que trabalhava para Browder, denunciou corrupção estatal e morreu sob custódia em Moscou em 2009, após ser acusado de fraude fiscal e submetido a tortura extrema. Browder relata que, diante da impunidade, buscou justiça congelando bens e proibindo viagens de envolvidos aos EUA, o que culminou na criação da lei.

Posteriormente, a legislação foi ampliada para atingir violadores de direitos humanos em outros países, sendo usada em casos de genocídio contra uigures na China, repressão a manifestantes na Nicarágua e perseguição aos Rohingya em Mianmar. Browder enfatiza que a lei sempre teve como foco responsabilizar graves violadores de direitos humanos e combater cleptocracia.

Críticas ao uso contra Moraes

O governo americano justificou a sanção a Moraes alegando que ele seria responsável por “campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias e processos politizados, inclusive contra Jair Bolsonaro”. Para Browder, o uso da lei neste contexto é “puramente político” e “uma deturpação de suas intenções originais”. Ele ressalta que a legislação não foi criada para vinganças políticas e que, até então, não havia registro de uso indevido.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade a Moraes, classificando a ação dos EUA como “inaceitável interferência na Justiça brasileira”.

Possibilidade de reversão e repercussão

Browder acredita que há fortes argumentos para que a decisão seja anulada pelos tribunais americanos, já que a lei não foi aplicada conforme sua concepção original. Ele destaca que o Judiciário dos EUA é independente e pode corrigir abusos, mesmo que o Executivo defenda a sanção. Segundo o executivo, Moraes tem meios legais para recorrer e reverter a medida.

O criador da lei também comentou críticas recebidas após se posicionar contra a sanção. Segundo Browder, muitos dos perfis que o atacaram nas redes sociais seriam bots, motivados pela disputa entre Elon Musk, dono da X, e o ministro Moraes. “Não tenho resposta para bots que fazem declarações falsas”, afirmou.

Browder considera decepcionante o uso político da lei pelos EUA, mas ressalta que a Lei Magnitsky segue sendo uma das principais ferramentas globais para defesa de vítimas de direitos humanos, adotada por mais de 35 países. Ele afirma que nunca houve abuso da lei antes e que, nos casos anteriores, as sanções foram aplicadas corretamente.

Browder é autor dos livros Ordem de Bloqueio (2022) e Alerta Vermelho (2016), publicados no Brasil pela editora Intrínseca.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Moraes pode recorrer à justiça dos EUA e pedir revisão a Trump para reverter sanção

Governo Trump critica Moraes e cogita novas sanções contra autoridades brasileiras

Alexandre de Moraes prioriza resposta política a sanções dos EUA antes de acionar Justiça americana

ONG dos EUA afirma que sanção a Moraes busca proteger aliados de Trump

Moraes afirma que organização criminosa tenta submeter STF a Estado estrangeiro

Barroso afirma que STF evitou erosão democrática e defende atuação de Moraes