Política

PF prende presidente da Conafer foragido desde novembro

Ele se entregou à Polícia Federal em Brasília e será enviado ao sistema prisional após indiciamento por fraude
PF prende presidente da Conafer: distintivo da Polícia Federal em destaque com fachada do INSS ao fundo

A Polícia Federal prendeu na noite desta quarta-feira (12) o presidente da Conafer, Carlos Lopes, que estava foragido desde novembro do ano passado. Ele se apresentou à Superintendência Regional da PF em Brasília e será encaminhado ao sistema prisional.

Lopes foi indiciado em julho na Operação Sem Desconto, que apura esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, com prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões.

Esquema de filiações falsas e cobranças não autorizadas

Segundo a PF, a Conafer funcionava como peça central de uma engrenagem que descontava mensalmente valores de aposentados e pensionistas do INSS como se eles fossem associados à entidade — sem que houvesse filiação ou autorização para a cobrança. O esquema movimentou milhões de reais de forma irregular ao longo dos anos.

No pedido de indiciamento, a PF defendeu que Lopes responda por organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado, e corrupção ativa majorada. O relatório final da investigação foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.

Nove meses foragido

Um mandado de prisão contra Lopes foi expedido em 17 de novembro, mas ele não foi localizado para cumprimento da medida e passou a ser considerado foragido. Na época, a Conafer publicou nota negando a fuga, alegando que o presidente da entidade estava em viagem em área de difícil acesso e com limitação de comunicação e que retornaria em breve. Nesta quarta-feira, no entanto, ele próprio se entregou à corporação.

Operação Sem Desconto: outros nomes envolvidos

Lopes é um dos 48 indiciados na primeira fase da Operação Sem Desconto, concluída em julho, que também apontou o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do órgão Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de benefícios André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Dez dias antes da prisão de Lopes, a PF já havia deflagrado uma nova fase da operação, voltada a rastrear a lavagem do dinheiro desviado dos aposentados. O mesmo relatório que embasou o indiciamento de Lopes revelou ainda que ele teria se reunido em 2023 com o senador Rodrigo Pacheco para tratar da nomeação do presidente do INSS — encontro que o senador nega.

A investigação começou em 2023, no âmbito administrativo da Controladoria-Geral da União (CGU). Em 2024, após a CGU identificar indícios de crimes, o caso foi encaminhado à Polícia Federal para apuração criminal.