Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, foi preso nesta sexta-feira (12) após investigação da Polícia Federal apontar movimentação de mais de R$ 12 milhões em 129 dias. Ele é suspeito de operar fraudes no INSS, envolvendo propinas e descontos ilegais em aposentadorias e pensões.
O esquema, segundo a PF, envolvia pagamento de propina a servidores públicos, uso de associações de fachada e descontos não autorizados em folha de pagamento de aposentados.
Detalhes do esquema de fraudes
A investigação revelou que Antônio Carlos Camilo Antunes liderava um grupo que pagava propina a servidores do INSS para obter dados cadastrais de aposentados e pensionistas. Com essas informações, repassava os dados para associações, que cadastravam os segurados sem autorização e efetuavam descontos ilegais diretamente na folha de pagamento.
As associações eram frequentemente presididas por idosos, pessoas de baixa renda ou aposentados por incapacidade, funcionando como entidades de fachada. Muitas vezes, os beneficiários não tinham conhecimento de que estavam sendo “associados” e, em alguns casos, eram filiados a mais de uma entidade no mesmo dia, com erros de grafia idênticos nas fichas, evidenciando a fraude.
Segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), dirigentes e servidores do INSS recebiam vantagens indevidas para facilitar a inserção dos descontos nos contracheques dos aposentados. A investigação teve início em 2023, na CGU, no âmbito administrativo, e evoluiu para ação policial em 2024, após identificação de indícios de crimes.
Defesas dos investigados
A defesa do empresário Maurício Camisotti argumenta que não há justificativa para sua prisão na operação, alegando arbitrariedade no momento em que teve o celular retirado durante conversa com seu advogado. Segundo os advogados, tal conduta afronta garantias constitucionais e configura constrangimento ilegal, anunciando que tomarão medidas legais para reverter a prisão.
Já o advogado Nelson Wilians, alvo de mandado de busca e apreensão, afirma colaborar integralmente com as autoridades e confia que a apuração demonstrará sua inocência. Ele esclarece que sua relação com um dos investigados é estritamente profissional e legal, e que os valores transferidos referem-se à compra de um terreno vizinho à sua residência, transação lícita e comprovável. Ressalta ainda que a medida é apenas investigativa, sem juízo de culpa, e reafirma seu compromisso com a legalidade e transparência.