A Polícia Federal (PF) afirma que o senador Rodrigo Pacheco se reuniu, em fevereiro de 2023, com Carlos Lopes, presidente da Conafer, para tratar da nomeação do presidente do INSS.
A informação consta no relatório da Operação Sem Desconto, entregue à Procuradoria-Geral da República após o indiciamento de 48 pessoas por fraudes em aposentadorias e pensões.
Pacheco nega o encontro e diz que jamais discutiu a indicação de nomes para o INSS com Lopes, que está foragido desde 2025.
O que diz o relatório da PF
Segundo o documento entregue ao ministro do STF André Mendonça, relator do caso, o encontro entre Pacheco e Carlos Lopes ocorreu em 1º de fevereiro de 2023 e foi articulado pelo deputado federal Euclydes Pettersen (MG). Na mesma conversa, Lopes comentou a eleição das mesas da Câmara e do Senado, disse que “Pacheco” havia sido eleito e afirmou que estava “indo encontrar com eles” para decidir quem assumiria a presidência do INSS.
Carlos Lopes foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada. Ele está foragido desde 2025, mesmo ano em que Pettersen virou alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, suspeito de receber propina para defender fraudadores do INSS.
Carlos Lopes é um dos 48 indiciados no relatório completo da Operação Sem Desconto, que também mira o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o lobista conhecido como Careca do INSS.
Próximos passos e outros indiciados
Com o relatório em mãos, a Procuradoria-Geral da República (PGR) vai decidir se apresenta denúncia formal, pede o arquivamento do caso ou solicita novas diligências à Polícia Federal. Euclydes Pettersen, apontado como articulador do encontro, não está em exercício na Câmara e também foi indiciado no mesmo relatório.
Também consta entre os indiciados Tiago Abraão Lopes, irmão de Carlos e igualmente dirigente da Conafer. O nome de Carlos Lopes aparece ainda nas prestações de contas que a PF associa a um esquema de R$ 24,6 milhões em propina a agentes ligados ao INSS.
Em nota, Pacheco reafirmou que nunca esteve com Carlos Lopes e negou qualquer participação na escolha de nomes para o comando do INSS.