A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) nova fase da Operação Sem Desconto, que apura o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
A etapa focou em suspeitos de lavagem de dinheiro obtido com a fraude, entre eles o senador Weverton Rocha (PDT-MA), alvo de mandados cumpridos pela PF no Distrito Federal e no Maranhão.
Como a lavagem era estruturada
Segundo a Polícia Federal, os suspeitos teriam usado pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e movimentações em espécie para ocultar a origem e o destino dos valores desviados dos benefícios do INSS. Os 18 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpridos no Distrito Federal e no Maranhão.
As investigações seguem para esclarecer a origem e a destinação dos recursos, o objetivo dos repasses identificados e a responsabilidade individual de cada investigado no esquema.
A ação da terça-feira (4) deu sequência ao trabalho iniciado em julho, quando a PF indiciou 48 pessoas por descontos indevidos, entre elas o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o lobista conhecido como Careca do INSS — nomes que a fase atual investiga como parte do fluxo de lavagem do dinheiro desviado.
Desde a primeira fase da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal estima que os desvios em descontos indevidos de aposentadorias e pensões entre 2019 e 2024 possam somar até R$ 6,3 bilhões, valor que segue sendo recalculado conforme avançam as apurações sobre a lavagem do dinheiro.
O relatório da fase anterior já havia identificado ao menos R$ 24,6 milhões em propinas repassadas a agentes ligados ao INSS, batizadas internamente de “Heróis” e “Notáveis” — o mesmo rastro financeiro que a PF tenta reconstruir agora para apontar quem lavou os valores desviados no esquema.
Segundo inquérito indicia seis por fraude com a Contag
Em paralelo à fase de lavagem, a Polícia Federal concluiu nesta semana um segundo inquérito da Operação Sem Desconto, desta vez voltado a desvios com participação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Seis pessoas foram indiciadas por inserção de dados falsos em sistema de informações e por participação em organização criminosa.
Entre os indiciados estão Stefanutto, o ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-diretor de benefícios André Paulo Félix Fidelis — os três já haviam sido indiciados no primeiro inquérito, em julho, no caso ligado à Conafer. As defesas não se manifestaram.
O relatório final foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do STF, e seguirá para a Procuradoria-Geral da República (PGR), a quem cabe apresentar a denúncia, pedir o arquivamento ou solicitar novas diligências.