A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (12) uma operação para combater fraudes no INSS em Brasília e São Paulo. Foram apreendidos bens de luxo, como uma Ferrari, relógios caros e dinheiro vivo. Entre os presos estão Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti. A ação visa desarticular um esquema que causou prejuízo bilionário aos cofres públicos.
Detalhes da operação e bens apreendidos
Durante a operação deflagrada nesta sexta-feira (12), a Polícia Federal apreendeu uma Ferrari, uma réplica de carro de Fórmula 1 de Ayrton Senna, relógios de luxo e uma quantia significativa em dinheiro vivo em uma residência no Lago Sul, em Brasília. Em São Paulo, também foram apreendidas várias obras e objetos de arte. Os itens apreendidos serão periciados e podem ser usados para ressarcir os valores desviados do Instituto Nacional do Seguro Social.
Além das prisões de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e do empresário Maurício Camisotti, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
Como funcionava o esquema
Segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), o grupo investigado oferecia propina a servidores do INSS para obter dados de beneficiários e utilizava assinaturas falsas para autorizar descontos. Associações de fachada, muitas vezes presididas por idosos ou pessoas de baixa renda, cadastravam aposentados e pensionistas sem autorização, descontando mensalidades diretamente da folha de pagamento. Em alguns casos, os idosos nem sabiam que estavam sendo associados, e há registros de filiações múltiplas no mesmo dia, com erros de grafia idênticos nas fichas.
Dirigentes e servidores do INSS recebiam vantagens indevidas para facilitar a inserção dos descontos nos contracheques dos aposentados, enquanto as associações viabilizavam o desvio dos recursos.
Desdobramentos e repercussão
A investigação teve início em 2023 na Controladoria-Geral da União, em âmbito administrativo. Em 2024, após a identificação de indícios de crimes, a Polícia Federal foi acionada para conduzir a operação. No início deste mês, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou o pedido de prisão preventiva e quebra de sigilo de Antônio Carlos Camilo Antunes e Maurício Camisotti. O requerimento, feito pelo relator Alfredo Gaspar (União-AL), foi aprovado por 26 votos favoráveis e nenhum contrário, justificando a necessidade de medidas mais rigorosas diante do esquema de desvio bilionário de aposentadorias.
Defesas dos investigados
A defesa do advogado Nelson Wilians afirmou que ele está colaborando integralmente com as autoridades, mantendo relação estritamente profissional e legal com um dos investigados, e que os valores transferidos referem-se à compra de um terreno vizinho à sua residência. Ressaltou ainda que a medida é investigativa e não implica culpa. Já a defesa de Maurício Camisotti classificou a prisão como arbitrária e afirmou que irá adotar todas as medidas legais cabíveis para reverter a decisão e assegurar os direitos do cliente. As demais defesas ainda não se pronunciaram.