O governo de Pernambuco vai utilizar bens apreendidos em operações policiais para ressarcir aposentados e pensionistas vítimas de fraudes no INSS, conforme anunciou o presidente do instituto, Gilberto Waller Júnior.
A iniciativa busca garantir o pagamento correto dos benefícios e combater irregularidades no sistema previdenciário, após a descoberta de um esquema bilionário de descontos indevidos.
Desde o início das investigações, cerca de R$ 2,8 bilhões já foram bloqueados pela Justiça para compensar os prejuízos dos segurados.
Operação Sem Desconto e apreensão de bens
Durante a Operação Sem Desconto, a Polícia Federal apreendeu carros de luxo, vinhos de R$ 50 mil e obras de arte nas residências dos investigados. A quantidade de bens de alto valor surpreendeu os investigadores, que agora buscam reverter esses itens para ressarcir os prejudicados.
O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, informou que a Advocacia Geral da União já foi acionada para adotar medidas cautelares e bloquear os bens dos envolvidos, com o objetivo de garantir que “100% do ressarcimento venha sair do bolso de quem fraudou”.
Esquema de fraudes e envolvidos
A investigação revelou um amplo esquema de fraudes e desvios de dinheiro de aposentadorias e pensões. Entre os investigados está Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como facilitador do esquema e suspeito de pagar R$ 9,3 milhões em propina a servidores. Também foi preso Maurício Camisotti, empresário do setor de seguros e planos de saúde, acusado de ser sócio oculto e beneficiário das fraudes.
Segundo a Polícia Federal, associações e entidades cadastravam aposentados sem autorização, usando assinaturas falsas para descontar mensalidades dos benefícios pagos pelo INSS.
Desdobramentos e fiscalização
Nesta segunda-feira, estava previsto o depoimento do “Careca do INSS” na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso, que investiga o desvio bilionário. No entanto, ele informou por meio de sua defesa que não compareceria, e a reunião foi cancelada.
O presidente do INSS ressaltou a importância do depoimento para esclarecer o destino dos recursos e identificar os responsáveis pelo esquema. “É importante saber para onde foi o dinheiro, quem eram as pessoas por trás, como era feito todo esse esquema, para a gente poder conseguir o ressarcimento 100% para os nossos aposentados e pensionistas”, afirmou.
Bloqueio de descontos associativos
Sobre a fiscalização, Waller Júnior destacou que todos os descontos associativos estão atualmente bloqueados. Ele explicou que, caso esses descontos voltem a ser permitidos, será necessário implementar novos controles, conforme acordo firmado entre o INSS, Ministério Público, Defensoria Pública e OAB, homologado pelo Supremo Tribunal Federal. “A gente não pode assinar um acordo de cooperação com uma instituição fantasma, com uma associação que não existe, não presta nenhum outro serviço. É só para tirar dinheiro do nosso aposentado e pensionista”, declarou.