O dólar abriu a sessão da segunda-feira (10/8) em leve alta, subindo 0,04% por volta das 9h10 e cotado a R$ 5,0857. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abriu às 10h.
O movimento acompanhou a nova alta do petróleo, pressionado pelas incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, depois de o Irã divulgar, no fim de semana de 8 e 9/8, uma extensa lista de exigências aos Estados Unidos para liberar o tráfego de navios pela rota.
Irã condiciona reabertura do Estreito de Ormuz
Pelo Estreito de Ormuz passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo, o que torna qualquer sinal sobre o bloqueio um termômetro direto para os preços de energia. No fim de semana de 8 e 9 de agosto, o Irã apresentou uma lista de exigências aos Estados Unidos como condição para permitir a volta da navegação pelo canal, segundo informações do jornal americano The New York Times, com base em declaração veiculada pela mídia estatal iraniana.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o país e o Omã estavam “muito perto” de um acordo para uma nova rota de navegação pelo Estreito. Entre as contrapartidas cobradas pelos americanos estão o abandono do programa nuclear iraniano, a garantia de segurança da navegação na região e o acesso a ativos congelados condicionado ao fim do enriquecimento de urânio.
O impasse não é inédito. O ultimato de Trump ao Irã — “acordo ou rendição total” — não é de hoje: em abril, o presidente americano já adotava o mesmo tom duro enquanto Fed e Copom decidiam simultaneamente sobre juros. Já em maio, o Irã havia apresentado uma lista de exigências semelhante para reabrir o Estreito de Ormuz, e a Casa Branca avaliou a proposta sem ceder a nenhuma das condições, como mostra cobertura da época.
Com o conflito em curso desde fevereiro, os impactos na oferta global já se mostram persistentes. Um relatório divulgado na terça-feira (11/8) pela Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA) projeta que cerca de 600 mil barris diários de produção na região continuarão fora de operação até o fim de 2027 — mesmo que os fluxos comerciais pelo Estreito sejam restabelecidos no próximo ano. Em julho, a interrupção média na região chegou a 5,5 milhões de barris por dia, segundo a agência.
Com as negociações sem progresso, a disputa pelas narrativas sobre o controle da hidrovia escalou nos dias seguintes. Na quarta-feira (12/8), Trump declarou em sua rede social Truth Social que os Estados Unidos tinham “controle total” do Estreito. Na quinta-feira (13/8), o Irã refutou: o governo iraniano reafirmou que a rota permanece sob seu controle, mantendo a pressão sobre o petróleo no mercado internacional. Trump também classificou o Irã de “valentão do Oriente Médio” e descreveu como “muro de aço” o bloqueio naval americano a navios iranianos na entrada de Ormuz.
Em paralelo, o Irã e o Omã avançaram nas tratativas para administrar o fluxo de navios pelo canal — um acordo que, segundo a agência Reuters, excluiria embarcações americanas e israelenses da rota.
Agenda de inflação e bolsas asiáticas no radar
Além do noticiário sobre o Oriente Médio, o mercado também monitora a agenda de inflação. Depois de os dados de emprego nos Estados Unidos virem abaixo do esperado na sexta-feira (7/8), o próximo indicador de preços americano deve trazer novos sinais sobre os passos do Federal Reserve na condução dos juros. No Brasil, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central também é aguardada pelos investidores. O encarecimento do petróleo já começa a se refletir nos preços de energia ao redor do mundo, e bancos centrais de diversos países levantaram preocupações com a pressão inflacionária gerada pelo conflito, alertando para um potencial aperto monetário.
Na segunda-feira (10/8), a maioria das bolsas asiáticas fechou em alta, em meio à avaliação de novos dados de produção industrial da China e ao compromisso do banco central chinês, em seu plano quinquenal, de manter a taxa de câmbio do iuan estável e ampliar o uso da moeda em transações internacionais. O CSI 300 avançou 0,16%, o índice de Xangai subiu 0,25%, o Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 1,05%, o Nikkei, do Japão, saltou 2,08%, e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,65%.
Na quinta-feira (13/8), o quadro se inverteu nos mercados chineses, puxados por perdas no setor de metais: o CSI 300 recuou 0,6% e o índice de Xangai caiu 0,5%, enquanto o Hang Seng cedeu 0,2%. Japão e Coreia do Sul nadaram na contramão — o Nikkei avançou 1,16% e o Kospi registrou forte alta de 3,56%.