Economia

Petróleo sobe a US$ 97 com escalada da guerra entre EUA e Irã

Irã ameaça atacar instalações de energia e Goldman Sachs projeta barril a US$ 120
Barris de petróleo em área industrial com bandeiras do Irã ao fundo: petróleo sobe com guerra Irã

Os preços do petróleo atingiram nesta segunda-feira (7) o maior valor em seis semanas, depois de o Irã ameaçar atacar instalações de energia no Oriente Médio em resposta a novos ataques dos Estados Unidos.

O Brent, referência internacional, fechou a US$ 97,31 o barril, alta de 1,1%, após chegar a US$ 98,06 durante o pregão — maior cotação desde 24 de julho. O WTI, referência nos EUA, subia 1,3%, a US$ 92,65.

Ataques recíprocos aumentam risco às rotas marítimas

A alta ocorre após uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã. No fim de semana, os dois países atingiram petroleiros e navios de guerra, segundo a empresa de inteligência marítima Marisks.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou nesta segunda que o país responderá caso seus ativos sejam atacados. A declaração veio depois de o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, dizer que a frota petrolífera iraniana estava indefesa.

Segundo a Marisks, o uso de navios comerciais como instrumento de pressão econômica aumenta o risco para o transporte marítimo de petróleo, já que a fronteira entre o confronto militar e o comércio marítimo ficou mais difícil de distinguir.

A guerra entre EUA e Irã começou em 28 de fevereiro, quando os dois países e Israel iniciaram uma série de ataques. Na semana passada, o Brent acumulou alta de quase 8%, enquanto o WTI subiu cerca de 10%.

Goldman Sachs projeta barril a US$ 120 em cenário de escalada

O aumento da tensão elevou as projeções para os preços da commodity. O Goldman Sachs avalia que o petróleo pode chegar a US$ 120 por barril caso os ataques contra navios comerciais se intensifiquem, dado o risco de novos problemas no transporte de petróleo e derivados pelo Oriente Médio.

Os estoques de gasolina e de combustíveis destilados nos Estados Unidos estão abaixo dos níveis do mesmo período do ano passado e das médias sazonais dos últimos cinco anos, segundo analistas da PVM Energy, para quem o cenário atual é mais preocupante do que o observado semanas atrás.

Os Emirados Árabes Unidos já trabalham na criação de rotas alternativas para suas exportações de energia, segundo Anwar Gargash, assessor presidencial do país, que busca evitar que os Emirados fiquem vulneráveis aos efeitos do conflito. Apesar da alta dos preços, a Opep+ manteve no domingo sua política de produção para outubro.

O padrão de escalada não é inédito: em maio, quando Trump ameaçou aniquilar o Irã, o Brent rompeu US$ 111. Já em março, quando o Irã declarou estar pronto para reagir a um ataque terrestre americano, o Brent voltou a US$ 115 com a escalada da guerra no Oriente Médio.

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