O presidente-executivo da Nestlé, Philipp Navratil, afirmou à Reuters que a guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já dura seis meses, está elevando os custos de energia, frete e matérias-primas da companhia.
Para conter o impacto sobre os preços dos produtos, a dona de marcas como Nescafé, Maggi e KitKat reajusta valores, reformula receitas e avalia cortar itens que os consumidores não querem pagar mais.
Impacto direto é pequeno, mas custos pressionam a cadeia
Segundo Navratil, o Oriente Médio responde por apenas 2% a 3% do faturamento total da Nestlé, que gira em torno de 90 bilhões de francos suíços (US$ 111 bilhões). Por isso, o efeito direto do conflito sobre as vendas da companhia na região é limitado.
O problema, segundo o executivo, está nos custos dos fornecedores, que sobem com a guerra e podem ser repassados aos produtos finais. A empresa diz buscar formas de reduzir despesas internamente para evitar repassar toda a alta ao consumidor.
A pressão chega em um momento de alta nos preços internacionais de alimentos. A FAO já vinha alertando, desde maio, que a guerra remodelava o sistema alimentar global, quando seu índice de preços atingiu o maior nível em três anos. Em julho, o indicador subiu a 131,1 pontos, ante 130,3 pontos em junho — o maior nível desde janeiro de 2023.
A alta nos insumos também tem raiz na pressão sobre fertilizantes e frete. Desde março, economistas alertavam que o mesmo conflito encarecia fertilizantes e o transporte marítimo, fatores que ameaçam também o preço da comida no Brasil.
Revisão de portfólio e discussão sobre rotulagem na Índia
A estratégia de cortar custos faz parte de uma revisão mais ampla do portfólio da Nestlé, que recentemente vendeu uma participação em seu negócio de água engarrafada e está deixando o segmento de vitaminas. Navratil, no entanto, afirmou que a empresa segue aberta a aquisições: “Isso não significa que a Nestlé esteja apenas se desfazendo de ativos. Como sempre, estamos abertos a adquirir empresas que sejam estrategicamente importantes”.
O executivo também comentou a proposta indiana de incluir advertências sobre açúcar, sal e gordura na parte frontal das embalagens. Segundo reportagem da Reuters publicada em agosto, fabricantes de alimentos fazem lobby contra os avisos. Navratil defendeu que as empresas participem do debate e disse que a Nestlé já retirou milhares de toneladas de açúcar, sal e gordura de seus produtos, mas pediu que a rotulagem leve em conta o tamanho das porções.