O dólar iniciou esta quarta-feira (29) em alta de 0,09%, cotado a R$ 4,9862, pressionado pela combinação de tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela espera pelas decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil.
Donald Trump voltou a ameaçar o Irã publicamente em postagem nas redes sociais, acenando com a possibilidade de novos ataques militares. Do lado iraniano, Teerã condicionou a reabertura do Estreito de Ormuz ao fim definitivo do conflito — bloqueio que pressiona o fornecimento global de petróleo e mantém os mercados em modo de cautela.
Trump endurece o tom, Irã reage com bloqueio estratégico
Em publicação nas redes sociais, o presidente americano afirmou que ‘chega de bancar o bonzinho’ e compartilhou uma montagem em que aparece segurando um fuzil, com explosões ao fundo. As conversas para encerrar o conflito seguem sem avanço concreto, e Washington avalia diferentes estratégias — incluindo declarar vitória e reduzir a presença militar na região.
O Irã, por sua vez, garantiu que responderá com mais intensidade caso seja atacado novamente. Durante o cessar-fogo, Teerã tem aproveitado para reorganizar sua capacidade militar, incluindo a recuperação de equipamentos e a produção de drones.
O ponto mais sensível para os mercados de energia permanece o Estreito de Ormuz. O Irã condiciona a reabertura total da rota ao encerramento definitivo da guerra e ao cumprimento de protocolos de segurança definidos por Teerã. Na semana passada, o dólar já havia rompido os R$ 5 quando Trump endureceu o tom e o Pentágono estimou que remover as minas do Estreito poderia levar até seis meses.
Fed e Copom no centro das atenções econômicas
Apesar da crise geopolítica, o principal evento econômico do dia são as decisões de política monetária. O Federal Reserve divulga sua decisão às 15h, seguida de coletiva do presidente Jerome Powell às 15h30. As projeções do mercado apontam para manutenção dos juros americanos na faixa de 3,50% a 3,75%.
No Brasil, o Banco Central deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5%, dando sequência ao ciclo de aperto monetário. Também integra a agenda doméstica a divulgação dos dados do Caged, antecipada para esta quarta-feira às 14h30 — publicação que estava originalmente prevista para quinta. O cessar-fogo anunciado em 22 de abril foi recebido com cautela justamente porque o Irã nunca apresentou uma proposta formal de paz, e o impasse segue sem perspectiva de resolução.
Bolsas globais caminham em direções opostas
Os mercados internacionais operam de forma assimétrica nesta sessão. Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, impulsionadas por ações ligadas a tecnologia, terras raras, baterias e energia limpa. O índice SSEC de Xangai subiu 0,71%, o CSI300 avançou 1,10% e o Hang Seng de Hong Kong ganhou 1,68%. O Kospi, de Seul, também fechou no positivo, com alta de 0,75%.
O bom desempenho chinês foi sustentado por resultados fortes de empresas do setor de energia limpa. A cautela emergiu após o Politburo sinalizar continuidade das políticas econômicas atuais, sem a sinalização de novos estímulos imediatos que parte do mercado esperava.
Na Europa, o cenário é de perdas generalizadas. O índice pan-europeu STOXX 600 recuava 0,3%, pressionado por balanços corporativos abaixo do esperado e pela aversão ao risco derivada da guerra no Oriente Médio. O FTSE 100 de Londres caía 0,82%; o DAX de Frankfurt perdia 0,39%; o CAC-40 de Paris recuava 0,82%; e o Ibex-35 de Madri registrava a maior queda do continente, de 1,06%.
A divergência entre Ásia e Europa evidencia como a crise afeta as praças financeiras de forma desigual — com o bloco europeu mais exposto à disrupção no fornecimento de energia e os mercados asiáticos respondendo em maior medida a fatores internos de crescimento.
