O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP) discursou como candidato à Presidência da República na convenção do PL realizada em 25 de julho, no ginásio do Pacaembu, em São Paulo. O partido oficializou a candidatura no evento, mas não anunciou o nome do vice.
Na íntegra do pronunciamento, o filho mais velho de Jair Bolsonaro combinou apelo emocional ao pai, preso e impedido de acompanhar o lançamento, com ataques diretos a Lula, ao PT e ao Supremo Tribunal Federal.
Ataques a Lula, ao PT e ao STF
Flávio classificou a disputa de 2026 como “uma luta do bem contra o mal” e acusou o PT de nunca cumprir promessas em três mandatos anteriores. Ele associou o governo Lula a impostos altos, inflação e corrupção, chamando o partido rival de responsável por um Brasil “sequestrado”.
O senador também mirou o STF, alertando que uma eventual indicação de quatro novos ministros por Lula poderia repetir o perfil de Alexandre de Moraes, citado como símbolo de censura. Antes do discurso, um vídeo do pai gerado com inteligência artificial já havia motivado uma ação do PT no TSE, com pedido de remoção e multa de R$ 30 mil.
Promessas de campanha e agenda legislativa
Entre as propostas citadas, Flávio prometeu articular com um Congresso “mais à direita” para reduzir impostos, endurecer penas contra estupro de vulnerável e agressão a mulheres, e instituir castração química para estupradores de crianças.
Ele também pediu voto até de quem discorda dele, argumentando que a liberdade de imprensa e de manifestação nas redes dependeria do resultado da eleição presidencial.
Jair Bolsonaro não acompanhou o discurso do filho ao vivo. Ele cumpre prisão domiciliar sob restrições impostas por Alexandre de Moraes, que incluem a suspensão das visitas de Flávio por 90 dias após a leitura de uma carta em live — motivo pelo qual o senador se dirigiu ao pai diretamente durante a fala.
A convenção no Pacaembu também reuniu um pronunciamento do presidente argentino Javier Milei e uma mensagem gravada de Michelle Bolsonaro. Mesmo assim, Flávio chegou ao evento sem anunciar companheiro de chapa, indefinição que persiste até a publicação desta reportagem.
O discurso ocorreu quase três semanas antes do início oficial do período de propaganda eleitoral, previsto para 16 de agosto, o que reforça o caráter antecipado da mobilização de campanha promovida pelo PL.