O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse ao Comitê de Finanças do Senado americano, nesta quarta-feira (22), que o desmatamento no Brasil coloca os agricultores americanos em desvantagem competitiva.
A fala ocorreu no mesmo dia em que entrou em vigor o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, imposto pelo governo Trump sob a alegação de que o Brasil pratica preços mais baixos em madeira e carne por causa de crimes ambientais.
Governo dos EUA recorre a dados de 2021 para justificar tarifa
O documento da investigação americana recorre principalmente a dados de desmatamento já defasados, como o pico registrado em 2021, um dos maiores da história recente, ainda no governo de Jair Bolsonaro. O texto ignora, porém, números mais recentes: em 2025, o Brasil registrou a menor taxa de desmatamento na Amazônia em mais de dez anos.
O desmatamento ilegal é, ao lado do funcionamento do Pix, da corrupção e de decisões do STF contra big techs, um dos argumentos usados pelo USTR para justificar o tarifaço de 25% ao Brasil.
Dias antes da fala de Greer no Senado, os EUA já haviam isentado a carne bovina brasileira da tarifa, mas mantiveram o desmatamento ilegal na Amazônia como argumento da investigação, exigindo dos frigoríficos comprovação de rastreabilidade total dos rebanhos.
Ministério do Meio Ambiente nega irregularidades
Na semana anterior à audiência, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, classificou como “absolutamente improcedentes” os argumentos americanos. Segundo ele, toda a madeira exportada pelo Brasil é certificada e acompanhada desde a origem, na floresta, até o embarque, com fiscalização do Ibama e da Receita Federal.
“Não é possível, em nenhum porto brasileiro, exportar uma madeira sem a verificação e a comprovação da cadeia de custódia”, afirmou Capobianco, chamando de “absolutamente inverídica” a informação usada pelo governo americano.
Nova taxa pode atingir mais de 60 países
O tarifaço de 25% passou a valer no mesmo dia da audiência no Senado, mas o governo americano já sinaliza uma camada adicional: uma taxa extra, entre 10% e 12,5%, deve ser anunciada nos próximos dias para cerca de 60 países, incluindo o Brasil, com base em investigações sobre trabalho forçado.
Semanas antes de comparecer ao Senado, Greer já sinalizava que uma decisão sobre as tarifas viria “muito em breve”, período em que o USTR promoveu rodadas de audiências públicas com setores como madeira e agronegócio.
