Economia

Cota de açúcar tirada do Brasil é redistribuída a 28 países pelos EUA

República Dominicana e Filipinas ficam com a maior fatia das 55.993 toneladas que deixam de sair do país
Bandeira do Brasil e Donald Trump representam a redistribuição da cota de açúcar do Brasil pelos EUA

Os Estados Unidos concluíram nesta quarta-feira a redistribuição da cota de açúcar do Brasil entre 28 países. O USTR, escritório de comércio exterior americano, repartiu as 55.993 toneladas métricas em valor bruto retiradas das exportações brasileiras com tarifa reduzida.

A República Dominicana ficou com a maior parte, 11.931 toneladas, seguida pelas Filipinas, com 9.151 toneladas. A nova divisão vale para o ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro de 2026.

Brasil foi o único fornecedor penalizado

Em julho, o USTR havia anunciado que o Brasil seria o único país com corte na cota para o ano fiscal de 2027. A autorização para exportar açúcar aos Estados Unidos com tarifa reduzida caiu de 155.993 para 100.000 toneladas métricas em valor bruto. A decisão desta quarta-feira apenas oficializou o destino do volume perdido.

A pressão pela realocação vinha de dentro do próprio mercado americano. Semanas antes da decisão, entidades que representam consumidores de açúcar nos EUA já cobravam a redistribuição de cotas não utilizadas — pedido que terminou beneficiando República Dominicana e Filipinas.

Tarifa de 25% já atingia o setor

O corte se soma ao tarifaço de 25% sobre o etanol e o açúcar brasileiros, anunciado em 15 de junho, além de taxas adicionais de 12,5%. A medida se apoia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e decorre da investigação concluída pelo USTR sobre práticas comerciais do Brasil, que listou entre seus alvos o Pix, o comércio digital, as tarifas preferenciais, o combate à corrupção, a propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal.

Açúcar entrou na queda de braço diplomática

Um documento da Adidância Agrícola do Brasil em Washington, revelado em agosto pelo Poder360, indicava que a administração de Donald Trump usava a redução da cota como instrumento de pressão por concessões comerciais do governo brasileiro. Na ocasião, o Mdic e o Mapa confirmaram que monitoravam o caso.

A formalização chega em meio a um atrito mais amplo entre os dois governos. Em 15 de setembro, Trump afirmou que a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva falhou no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho e disse que as duas organizações transformaram o Brasil em um “centro de distribuição global de cocaína”.

Na terça-feira, em discurso na Assembleia Geral da ONU, Lula defendeu que o combate ao crime organizado exige cooperação internacional para conter o fluxo de armas e dinheiro às facções. “Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior”, declarou, ao mencionar proposta entregue pessoalmente ao presidente americano. Sem citar Trump diretamente, afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e pediu respeito à soberania dos países latino-americanos.