Economia

EUA podem taxar aço, suco e máquinas brasileiros em 25% mesmo com lista de isenções

Produtos semiacabados de ferro, sucos industrializados e maquinário de obras ficam fora das exceções anunciadas pelo USTR
Donald Trump e bandeira dos EUA em composição sobre tarifa de exportações brasileiras sem isenção

A lista de isenções divulgada pelo governo americano não protege alguns dos maiores itens da pauta exportadora brasileira. Produtos semiacabados de aço, sucos industrializados e máquinas para construção civil podem ser atingidos pela tarifa adicional de 25% proposta pelos EUA.

A medida tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e foi anunciada em 1º de junho. O processo ainda não é definitivo: audiência pública está marcada para 6 de julho de 2026, com decisão final prevista para até 15 de julho.

O setor siderúrgico concentra a maior exposição. Produtos semiacabados de ferro e aço foram o segundo item mais exportado pelo Brasil aos EUA em 2025, com vendas de US$ 3,36 bilhões — 8,92% do total embarcado. Lingotes, formas primárias e semiacabados não aparecem entre os itens isentos, embora ferroligas, produtos de redução direta e alguns tubos para aviação tenham sido contemplados.

O setor já opera sob pressão dupla: as tarifas de 25% da Seção 232 sobre aço e alumínio permanecem em vigor para o Brasil mesmo após a decisão da Suprema Corte. A nova proposta foi encerrada por uma investigação da Seção 301 que identificou seis eixos de práticas brasileiras consideradas “irrazoáveis” — do Pix a falhas anticorrupção, e viria se somar a esse cenário já oneroso.

O ferro-gusa e o ferro-esponja movimentaram US$ 1,74 bilhão em 2025 (4,63% da pauta). Parte do segmento pode se enquadrar nas isenções de ferroligas, mas outros produtos do grupo ficaram sem cobertura explícita.

Sucos e obras na linha de fogo

Os sucos de frutas e vegetais somaram US$ 1,61 bilhão em exportações para os EUA em 2025 (4,28% do total). A lista americana isenta frutas frescas, secas, congeladas e polpas — mas deixa de fora exatamente o que o Brasil mais exporta nessa categoria: os sucos industrializados.

Os equipamentos para engenharia civil e obras seguem o mesmo caminho: US$ 1,38 bilhão exportados (3,67% da pauta). As isenções para máquinas industriais se restringem ao setor aeronáutico. Para a Amcham, os setores de manufatura de média complexidade — como máquinas para construção civil e sucos industrializados — tendem a ser os mais penalizados pela estrutura das exceções.

Pneus e madeira também ficaram parcialmente desprotegidos. A isenção de pneus cobre apenas modelos de aviação; na madeira, só espécies específicas como teca, mogno, virola e balsa foram incluídas na lista.

Do lado dos protegidos, os maiores volumes da pauta brasileira saíram ilesos. O petróleo bruto — maior item exportado pelo Brasil aos EUA em 2025, com US$ 4,7 bilhões e participação de 12,48% — está entre os isentos. Aeronaves, café e celulose também escaparam da sobretaxa proposta.

O ambiente tarifário americano sobre produtos brasileiros é multicamada. Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA invalidou as tarifas baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), derrubando as tarifas “recíprocas” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Com o vácuo legal, o governo Trump passou a aplicar uma tarifa global de 10% sobre importações de todas as origens — exceto os já atingidos pela Seção 232 —, abrangendo máquinas, calçados, móveis, confecções, produtos químicos e outros itens.

A tarifa de 25% proposta agora, se confirmada, somaria mais uma camada sobre os produtos não isentos. A justificativa formal dos EUA inclui o Pix, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção — acusações apresentadas pelo representante comercial Jamieson Greer sem evidências documentadas ao abrir a investigação, em julho de 2025.

Mesmo antes de qualquer decisão definitiva, exportadores já começaram a segurar embarques para evitar perdas caso as tarifas entrem em vigor. O prazo até a audiência de 6 de julho ainda abre espaço para negociações diplomáticas e eventual revisão da lista de exceções.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
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