O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou nesta quinta-feira (9) que a decisão sobre as tarifas ao Brasil será anunciada “muito em breve” — mas reconheceu que os dois países ainda estão longe de fechar qualquer acordo.
A declaração ocorre enquanto o Brasil tenta marcar uma reunião política de alto nível com o próprio Greer antes do prazo final de 15 de julho, numa corrida diplomática para conter as tarifas propostas por Donald Trump em junho.
Trump havia proposto, em 1º de junho, tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras após investigação que incluiu desmatamento ilegal, pirataria e o sistema de pagamentos PIX. No dia seguinte, adicionou taxas de 12,5% para 60 países — entre eles o Brasil — por falhas no combate ao trabalho forçado. Em ambos os casos, longas listas de exceções foram apresentadas para evitar alta de preços no mercado interno americano.
Na segunda-feira (6), o USTR abriu a fase de audiências públicas. Representantes de setores como café, açúcar, arroz, etanol de milho, ferro-gusa, calçados, madeira, papel, mel e propriedade intelectual participaram dos debates.
O risco para o comércio bilateral
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, alertou que novas tarifas “seriam prejudiciais para ambas as economias”. Segundo ele, a participação dos EUA no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026 — o menor nível já registrado. As importações brasileiras de produtos americanos também recuaram 11% no período.
Em jogo estão 4,1 mil produtos exportados ao mercado americano, somando US$ 14,9 bilhões em exportações anuais — cifra que o governo brasileiro usa como argumento central nas negociações.
Empresas que participaram das audiências avaliam que a adoção de novas tarifas é praticamente inevitável. A expectativa, porém, é que o alcance da medida possa ser calibrado conforme seus impactos sobre a economia americana — não simplesmente barrado.
Um dos principais argumentos apresentados é que encarecer produtos brasileiros pode aumentar a dependência das cadeias produtivas dos EUA de insumos e componentes vindos da China — um efeito que contraria a própria estratégia comercial do governo Trump.
Pressão diplomática do Brasil
A declaração de Greer se soma à pressão que o Brasil tenta exercer desde a semana passada, quando entregou ao USTR um ‘mapa do caminho’ endereçando os seis pontos de atrito levantados pelos americanos.
O sinal de que as tarifas são vistas como inevitáveis muda o tom das negociações: o foco deixa de ser evitá-las e passa a ser limitar seu escopo — preservando o máximo possível dos US$ 14,9 bilhões em exportações anuais brasileiras para o mercado americano.
