Economia

Petróleo Brent ultrapassa US$ 95 com escalada da guerra EUA-Irã

Ataques dos EUA no Irã, petroleiro atingido em Ormuz e bloqueio dos Houthis acendem alerta de desabastecimento
Barris de petróleo em destaque com o Estreito de Ormuz ao fundo, simbolizando o petróleo Brent acima de US$ 95

O barril do Brent superou os US$ 95 nesta quarta-feira (22), pela primeira vez desde o início de junho, à medida que a guerra entre Estados Unidos e Irã se intensifica no Oriente Médio.

Às 8h19, a commodity operava com alta de 3,85%, a US$ 94,51 o barril, enquanto o WTI avançava 3,59%, para US$ 87,37. O mercado teme uma interrupção prolongada no fornecimento global de petróleo.

Ataques se multiplicam no Oriente Médio

Na madrugada desta quarta, os EUA bombardearam alvos iranianos pela 11ª noite consecutiva, atingindo centros de comando, sistemas de defesa aérea, lançadores de mísseis e drones, segundo as forças americanas. Nos últimos dias, o Irã revidou com ataques contra instalações militares dos EUA no Bahrein, no Kuwait e na Jordânia.

Um petroleiro foi atingido no Estreito de Ormuz, principal corredor de transporte de petróleo da região, elevando as preocupações sobre a segurança do fluxo global da commodity. A escalada se soma à sequência de ofensivas que começou no início de julho, quando os EUA destruíram cerca de 90 alvos estratégicos na costa iraniana, rompendo a trégua firmada em junho entre os dois países.

As tensões se ampliaram ainda mais depois que os Houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no estreito de Bab el-Mandeb, rota que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é uma das principais vias de exportação de petróleo do Oriente Médio para a Ásia e a Europa. Na terça-feira (21), dois petroleiros sauditas com destino à Ásia mudaram de rota no Mar Vermelho após ameaças de ataque do grupo, reforçando o receio de comprometimento do abastecimento mundial.

Impacto nos mercados e bancos centrais

A disparada do petróleo impulsionou as bolsas europeias, com o índice pan-europeu STOXX 600 subindo cerca de 0,6%, puxado pelas empresas de energia. Já os futuros das bolsas americanas recuavam antes da divulgação de balanços de gigantes de tecnologia como Alphabet e Tesla: o Nasdaq caía 0,6% e o S&P 500 perdia 0,2%.

No câmbio, o dólar perdia força ante outras moedas, enquanto o iene japonês se recuperava diante de sinais de que o Japão pode acelerar a alta de juros para conter riscos de inflação. O movimento repete o padrão observado em 14 de julho, quando o barril já havia saltado quase 4% diante do temor de um bloqueio no Estreito de Ormuz.

O avanço da commodity amplia os desafios para os bancos centrais: nesta quinta (23), o Banco Central Europeu decide sua política monetária, e o Federal Reserve faz o mesmo na próxima semana. A expectativa é de juros mantidos neste mês, mas operadores já precificam ao menos uma alta adicional de 0,25 ponto percentual nos EUA e na zona do euro até o fim do ano, caso a inflação volte a acelerar. O movimento dá sequência à escalada da sexta-feira (17), quando o Brent já acumulava a maior alta semanal desde abril, superior a 13%, pressionado pelas tensões no Estreito de Ormuz.

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