Economia

Petróleo sobe e registra maior alta semanal desde abril

Brent chega a US$ 86,64 e WTI a US$ 81,44 com temor de bloqueio no Estreito de Ormuz
Barris de petróleo ilustram maior alta semanal do petróleo em meio à tensão no Estreito de Ormuz

Os preços do petróleo aceleraram a alta nesta sexta-feira (17) e caminham para fechar a semana com o maior avanço desde abril, pressionados pela escalada das tensões no Estreito de Ormuz.

Por volta das 11h, o Brent avançava 2,86%, a US$ 86,64 o barril, com ganhos acumulados de mais de 13% na semana. O WTI subia 3,15%, a US$ 81,44, com alta semanal de 12,4%.

O movimento é puxado pelo bloqueio da rota pelo Irã, em retaliação a ataques dos EUA, e por novas restrições impostas por Donald Trump a embarcações iranianas.

Ormuz, a artéria do petróleo global

O Estreito de Ormuz concentra a passagem de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, o que transforma qualquer ameaça à rota em gatilho imediato para os preços. A escalada atual repete o padrão da última segunda-feira (13), quando o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz em retaliação a uma nova onda de ataques dos EUA, disparando a primeira grande alta do petróleo na semana.

Donald Trump reagiu retomando restrições às embarcações iranianas que utilizam o estreito. O presidente chegou a considerar um pedágio de 20% sobre cargas transportadas por navios que passassem pela rota, mas recuou e afirmou que buscará acordos comerciais e de investimento com “vários países” do Golfo Pérsico.

Três dias antes, o Brent já havia avançado quase 4,5% num único pregão, à medida que o governo Trump reforçava o bloqueio naval ao Irã e o mercado temia a interrupção do tráfego em Ormuz.

Risco de inflação e volatilidade nos preços

A escalada do conflito reacende preocupações com a oferta global de petróleo em um momento de estoques reduzidos e demanda elevada. Investidores temem que a alta dos combustíveis pressione a inflação global, com reflexos sobre juros e crescimento econômico em diversos países.

A virada é abrupta: há pouco mais de três semanas, o petróleo chegava a recuar para perto de US$ 73 — nível próximo ao período pré-guerra — com a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, cenário hoje revertido pela nova escalada.

Se a alta semanal se confirmar como a maior desde abril — quando o Brent subiu 16,5% na semana encerrada em 24 de abril — o mercado deve monitorar de perto qualquer sinal de trégua entre Washington e Teerã nos próximos dias.

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