Política

EUA revogam visto da embaixadora do Brasil em Washington

Medida retalia demora do Brasil em aprovar Daniel Perez, indicado por Trump para embaixada dos EUA
Trump ao lado do Palácio do Itamaraty simbolizando a revogação do visto da embaixadora do Brasil pelos EUA

Os Estados Unidos revogaram nesta terça-feira (4) o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, informou o Departamento de Estado americano.

A medida retalia a demora do Brasil em conceder aval diplomático a Daniel Perez, indicado por Donald Trump em junho para assumir a embaixada dos EUA no país.

Segundo o governo americano, Viotti não será expulsa e poderá seguir nos Estados Unidos, mas sem visto válido até o impasse ser resolvido.

Aval ao novo embaixador ainda depende do Senado dos EUA

Perez, de 38 anos, foi indicado por Trump em 1º de junho e já recebeu o aval de uma comissão do Senado americano, mas ainda aguarda confirmação do plenário da Casa. Antes de assumir o posto, porém, ele depende também da autorização do Brasil — o chamado agrément —, que o Itamaraty ainda não concedeu.

Segundo o Departamento de Estado, autoridades brasileiras sinalizaram que essa autorização só deve sair após as eleições presidenciais de outubro. Se confirmado, Perez será o primeiro embaixador dos EUA no Brasil desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden — o posto está vago desde janeiro de 2025. Até a publicação desta reportagem, o Itamaraty não havia comentado o anúncio da revogação.

A crise de vistos teve início dez dias antes, quando o Itamaraty barrou a entrada de dois funcionários do Departamento de Estado — o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson — que tentavam marcar reunião no TSE às vésperas das eleições.

Relação bilateral se desgasta desde 2025

As relações entre Brasil e Estados Unidos pioraram em julho do ano passado, quando Trump anunciou tarifas contra produtos brasileiros citando o que chamou de caça às bruxas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Negociações posteriores levaram a uma trégua parcial, e Lula e Trump chegaram a se reunir duas vezes, a última em 7 de maio em Washington.

O clima voltou a azedar no fim de maio, quando os EUA classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas — decisão anunciada dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com Trump e o secretário de Estado Marco Rubio. Já na semana anterior à revogação do visto, fontes do Itamaraty avaliavam que a negativa de vistos aos diplomatas americanos não ficaria sem resposta e previam retaliação no campo diplomático.

O impasse se soma a uma disputa comercial já em curso: a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros entrou em vigor em 22 de julho, após investigação dos EUA que mirou o sistema Pix e a regulação de plataformas digitais. Dois dias depois, Washington confirmou outra tarifa, de 12,5%, contra o Brasil e dezenas de países, alegando falta de combate ao trabalho forçado.

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