Daniel Perez, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o posto de embaixador americano no Brasil, afirmou neste domingo (23) que não pretende se envolver nas eleições presidenciais de outubro.
Em entrevista a uma emissora de TV da Flórida, ele admitiu um impasse comercial entre os dois países e disse que buscará um acordo de tarifas que beneficie tanto o Brasil quanto os Estados Unidos.
Impasse comercial e diplomático
Na entrevista ao canal WPLG, da Flórida, Perez resumiu a relação bilateral em uma frase direta: “Neste momento, existe um certo impasse entre Brasil e EUA, e é difícil ficar em um impasse com um país que é um parceiro comercial tão importante para nós, o maior da América do Sul”.
Aprovado pelo Senado dos Estados Unidos no início de agosto, Perez segue sem assumir o posto em Brasília. O republicano, filho de imigrantes cubanos e presidente da Câmara da Flórida, foi confirmado pelo Senado por 51 votos a 47 antes de a crise diplomática se agravar.
O governo Lula tem dado sinais de que pretende adiar a análise do nome até depois das eleições de outubro, e a demora já provocou uma retaliação por parte dos Estados Unidos.
Retaliação e repúdio do Itamaraty
Em 4 de agosto, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma medida vista como retaliação à demora do Brasil em aceitar Perez. O Itamaraty repudiou a decisão e disse ser “óbvio” o interesse americano de interferir na eleição presidencial.
O caso já vinha sendo acompanhado de perto pelo governo brasileiro. Duas semanas antes da revogação do visto, o assessor Celso Amorim classificou a conduta americana como “bizarra” e disse que o timing da indicação, feito às vésperas do pleito, “não aconteceu por acaso”.
O pedido formal de agrément havia chegado ao Itamaraty ainda em junho, mas o governo brasileiro, que inicialmente sinalizou avaliar o nome sem critérios ideológicos, segue sem emitir a autorização.