O governo dos Estados Unidos encaminhou ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, na semana passada, o pedido de agrément para a indicação de Daniel Perez ao cargo de embaixador americano em Brasília.
A consulta formal chega semanas após Trump anunciar o nome de Perez em 1º de junho sem consultar previamente o Itamaraty — um desvio do protocolo diplomático que gerou mal-estar entre os dois governos.
O que muda com o envio do agrément
O agrément é a consulta formal e confidencial que um governo faz ao país receptor antes de anunciar publicamente seu indicado para a chefia de uma embaixada. No caso de Perez, a sequência foi invertida: Trump divulgou o nome em 1º de junho e só agora o protocolo foi cumprido.
Com o documento em mãos, o governo Lula fará sua análise formal. A posição brasileira já era conhecida: como o Tropiquim havia noticiado, o Itamaraty descartou o alinhamento de Perez ao MAGA como critério de veto e indicou que aguardaria o envio formal do agrément para avaliar o nome indicado.
O próximo passo depende do Senado norte-americano, que ainda precisa realizar a sabatina do indicado. A expectativa é que, antes do final de 2026, Perez esteja apto para assumir a embaixada em Brasília — com aval tanto do governo brasileiro quanto do Legislativo americano.
Posto vago desde o retorno de Trump
Se confirmado, Daniel Perez será o primeiro embaixador dos EUA no Brasil desde Elizabeth Bagley, indicada pelo governo Biden. A vaga está aberta desde janeiro de 2025, quando Trump voltou à Casa Branca.
Enquanto isso, a missão diplomática americana em Brasília é conduzida pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar. A partir de julho, ele será substituído por Natasha Franceschi no comando provisório da representação americana.
Perfil do indicado
Filho de imigrantes cubanos, Perez nasceu em Nova York e se mudou com a família para a Flórida ainda criança, em 1993. Republicano, ele integra o mesmo partido de Trump e demonstra apoio às políticas do presidente americano.
Desde 2024, Perez está no comando da Câmara da Flórida — a câmara legislativa do estado. No ano passado, chegou a ser cotado para o cargo de procurador-geral da Flórida, mas decidiu permanecer à frente da presidência da Casa legislativa.
O cargo de embaixador dos EUA no Brasil segue vago há mais de 18 meses. A expectativa, segundo fontes do governo americano, é que a tramitação no Senado e a obtenção do agrément brasileiro permitam que Perez assuma o posto antes do fim de 2026.