Política

Brasil descarta veto a indicado de Trump por alinhamento ao MAGA

Indicação de Daniel Perez foi feita sem consulta prévia ao Itamaraty, gerando incômodo no governo brasileiro
Tensão diplomática sobre indicação de Daniel Perez embaixador Trump Brasil entre Lula e EUA

O governo Lula descartou que o alinhamento do deputado Daniel Perez ao movimento Make America Great Again (MAGA) seja motivo para barrar sua indicação como embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

A avaliação caberá ao processo formal do agrément — consulta diplomática confidencial que o Brasil conduz antes de autorizar qualquer embaixador estrangeiro a atuar no país.

A indicação de Perez foi feita por Washington sem consulta prévia ao Itamaraty, gerando incômodo e risco de novo atrito na relação bilateral.

Auxiliares da área diplomática do governo Lula explicam que diferenças ideológicas não são usadas como critério para gerir relações com outros países — e que o mesmo vale para representantes diplomáticos.

A partir do momento em que o pedido formal de agrément for enviado pelo governo americano, o Brasil fará uma análise geral do currículo de Perez, verificando, por exemplo, se o indicado atuou em algum momento contra interesses brasileiros. Sem nada que o desabone, a indicação tende a ser aprovada.

Por que o Brasil quer um embaixador dos EUA

A diplomacia brasileira vê a chegada de um embaixador como um gesto positivo. Diferentemente do encarregado de negócios — cargo hierarquicamente inferior —, o embaixador tem interlocução direta e mais ampla com o governo brasileiro, o que é considerado estratégico para a relação bilateral.

Os EUA estão sem embaixador no Brasil desde janeiro de 2025. Se o nome de Perez for aprovado pelo Senado americano, ele será o primeiro a ocupar o posto desde Elizabeth Bagley, indicada pelo então presidente Joe Biden.

Quem é Daniel Perez

Filho de imigrantes cubanos, Perez nasceu em Nova York e se mudou com a família para a Flórida em 1993. Republicano e alinhado às políticas de Trump, preside a Câmara da Flórida desde 2024. Chegou a ser cotado para procurador-geral do estado, mas optou por permanecer na presidência da Casa.

Sua indicação ao posto em Brasília ocorre em meio a um desgaste político com o governador Ron DeSantis, o que dá um contorno particular à movimentação de Trump para enviá-lo ao Brasil.

Enquanto o Senado americano não aprova o nome de Perez, a Embaixada dos EUA em Brasília terá nova encarregada de negócios a partir de julho — Natasha Franceschi, que substituirá Gabriel Escobar no comando da missão diplomática. Diferentemente de um embaixador, ela assume o posto sem precisar passar pelo processo do agrément.

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