O Partido dos Trabalhadores oficializou neste domingo (2) a candidatura do presidente Lula à reeleição em convenção nacional no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento teve início às 10h e Lula iniciou o discurso às 12h22, após falas da primeira-dama Janja, do presidente do PT Edinho Silva, do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad e do vice Geraldo Alckmin (PSB).
Aos 80 anos, Lula disputa o quarto mandato repetindo a chapa vitoriosa de 2022 com Alckmin, oficializado pelo PSB na quarta-feira (29).
No discurso, Lula defendeu a campanha com base no legado do governo. “Quem fez pode prometer mais; quem não fez não tem o que prometer”, afirmou, acrescentando que sua candidatura não precisa “contar uma mentira” nem “inventar nada”. Prometeu ainda brigar contra as emendas parlamentares e criticou o fundo partidário: “Esse negócio de fundo partidário não me agrada, está levando os partidos à promiscuidade”.
Sobre as pesquisas de intenção de voto, pediu à militância que não se preocupe: “A guerra não começou, o campeonato não começou”. Lula também afirmou que pretende encerrar a carreira política ao fim deste mandato, caso eleito. A cerimônia reuniu ainda Simone Tebet e Marina Silva — ambas candidatas ao Senado por São Paulo —, além do ministro Guilherme Boulos e da ministra Márcia Lopes.
Base aliada cresce para a disputa de 2026
A chapa Lula-Alckmin chega às eleições com apoio de seis partidos: PSB, PDT e as federações que reúnem PT, PV e PCdoB, além de PSOL e Rede. O PSB formalizou a aliança na quarta-feira (29), ao confirmar Alckmin como candidato a vice em convenção nacional em Brasília, repetindo a chapa que venceu as eleições de 2022.
O PDT foi o primeiro partido a declarar apoio ao petista, em 20 de julho, rompendo a tradição histórica de lançar candidatura própria com Ciro Gomes.
Se vencer a disputa deste ano, Lula chegará a 16 anos no comando do país, atrás apenas de Getúlio Vargas, que governou o Brasil por pouco mais de 18 anos — mas foi eleito pelo voto direto uma única vez. O petista já venceu as eleições de 2002, 2006 e 2022, além de ter perdido as disputas de 1989, 1994 e 1998.
Até o momento, o principal adversário de Lula na corrida presidencial é Flávio Bolsonaro (PL), que lançou sua candidatura em 25 de julho e ainda não anunciou coligações.
Investigações sobre o filho do presidente
Lula inicia a campanha em meio ao avanço de inquéritos contra o filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na última semana, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a abertura de duas investigações para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção, ligadas a lobistas como Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado por desvios de aposentadorias e pensões pela Polícia Federal.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, negou irregularidades e classificou a abertura dos inquéritos como tentativa de “interferir no processo eleitoral”. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., na quinta-feira (30), Lula afirmou que o filho “responderá como filho de qualquer pessoa” e não terá tratamento privilegiado.
Calendário eleitoral
As convenções partidárias seguem até 5 de agosto, prazo final para oficializar candidaturas e coligações. O registro na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto, e a campanha começa no dia seguinte — o lançamento oficial de Lula está marcado para 16 de agosto, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Lula é o último entre os cinco principais presidenciáveis a realizar sua convenção.