Lula discursou na convenção nacional do PDT nesta segunda-feira (20), em evento que oficializou o apoio do partido à sua pré-candidatura à reeleição. Ele defendeu a democracia, criticou privatizações do governo Bolsonaro e endureceu o tom contra os Estados Unidos.
Sem citar nomes, o presidente voltou a chamar integrantes da família Bolsonaro de “traidores da pátria” e desafiou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a apoiar abertamente a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Recado aos Estados Unidos
Dias depois de Washington confirmar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, Lula usou parte do discurso para provocar o governo americano. Ele convidou “quem quiser vir do mundo” para acompanhar as eleições brasileiras e disse que, se o secretário de Estado Marco Rubio quiser apoiar Flávio Bolsonaro (PL), “que venha, que monte um comitê”.
O recado a Washington repete o tom de “guerra da narrativa, guerra da verdade” que o presidente declarou dias antes, logo após a confirmação da tarifa. Para Lula, articulações da família Bolsonaro estariam por trás da ameaça de novas taxas ao Brasil.
“Traidores da pátria” e privatizações
Sem citar nomes, o petista voltou a chamar integrantes da família Bolsonaro de “traidores da pátria”, expressão usada semanas antes ao criticar a carta que Flávio Bolsonaro enviou ao USTR pedindo adiamento das tarifas dos Estados Unidos.
Lula também criticou privatizações feitas no governo Bolsonaro, citando a Petrobras. Segundo ele, a estatal poderia ajudar o país a enfrentar os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o preço dos combustíveis.
Educação e repercussão da convenção
O presidente dedicou parte da fala à defesa da escola de tempo integral, que classificou como essencial para dar tranquilidade às famílias brasileiras e resolver, segundo ele, um dos principais gargalos da educação nacional.
O discurso veio horas depois de o PDT se tornar, por unanimidade, o primeiro partido a oficializar apoio à reeleição de Lula, em convenção marcada pela ruptura da sigla com Ciro Gomes.
Ao falar sobre democracia, Lula disse sentir saudade de disputar eleições com adversários que também a defendiam, e lembrou os 23 anos de regime militar vividos antes da redemocratização.
