O PDT confirmou nesta segunda-feira (20) apoio à pré-candidatura do presidente Lula à reeleição, durante convenção nacional em Brasília. A decisão foi aprovada por unanimidade dos filiados presentes.
O presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, comandou o encontro. Ex-ministro da Previdência, ele deixou o governo em maio de 2025 após escândalo de fraudes no INSS, mas não foi indiciado pela Polícia Federal.
Com o apoio, o PDT se torna o primeiro partido a formalizar respaldo à candidatura de Lula neste ciclo eleitoral, que segue até 5 de agosto.
Ruptura com Ciro Gomes redefine o PDT
Nas últimas eleições presidenciais, o PDT lançou candidatura própria com Ciro Gomes e só declarou apoio a Lula na reta final da campanha. Neste ciclo, o cenário mudou: Ciro deixou o partido rumo ao PSDB, onde disputará o governo do Ceará em aliança com o PL, e a sigla optou por antecipar o respaldo ao petista sem indicar nome próprio.
“Quem saiu é que perdeu”
Sem citar Ciro Gomes diretamente, a vice-presidente nacional do PDT, Sírley Soalheiro, resumiu o momento do partido: “nós não perdemos aquilo que nós não temos. Então, quem saiu é que perdeu.” Já o líder da sigla na Câmara, deputado André Figueiredo (CE), disse que a saída do ex-aliado devolveu ao partido sua identidade histórica, o “PDT raiz”.
A convenção do PDT integra a leva de encontros partidários que se estendem até 5 de agosto, quando as legendas definem candidaturas e coligações para outubro. No mesmo dia, o Partido Missão confirmou a candidatura de Renan Santos à Presidência, sob ameaça de facções, em mais um capítulo da corrida que já reúne diversos presidenciáveis.
Lupi compara Lula a antítese dos EUA
Em seu discurso, Lupi reforçou críticas ao governo dos Estados Unidos e afirmou que Lula representa o oposto do presidente norte-americano. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, seguiu a mesma linha e classificou a eleição de outubro como a mais importante dos últimos anos, dizendo que a vitória de Lula sinalizaria ao mundo “que é possível derrotar o fascismo e a ultradireita”. Silva também afirmou que o Brasil “não é quintal nem puxadinho dos EUA”.
Enquanto outros presidenciáveis ainda buscam fechar chapa, Lula chega à disputa com a vice-presidência já resolvida: desde março, mantém Geraldo Alckmin (PSB) ao seu lado, um dos únicos dois candidatos, ao lado de Ronaldo Caiado, a ter a dobradinha definida a menos de 100 dias do primeiro turno.
Para o ex-prefeito de Aracaju (SE) Edvaldo Nogueira, o PDT “não pode” repetir a divisão que, segundo ele, prejudicou o partido no passado.
