O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou nesta quinta-feira (23) que o governo Trump está atento à liberdade de expressão e à integridade do processo eleitoral no Brasil.
A resposta foi dada ao g1 três dias depois de Lula desafiar o secretário Marco Rubio a apoiar oficialmente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência.
Lula fez o desafio durante convenção do PDT em Brasília, quando recebeu apoio unânime à reeleição e prometeu ‘derrotar’ os que chama de traidores da pátria.
Discurso na convenção do PDT
Na convenção nacional do PDT, realizada na sede do partido em Brasília, Lula recebeu apoio unânime à pré-candidatura à reeleição e usou o discurso para provocar o Departamento de Estado. A reação do Departamento de Estado vem três dias depois de Lula desafiar Rubio a bancar Flávio Bolsonaro, dizendo “que venha, que monte um comitê”.
Sem citar nomes diretamente, o presidente afirmou que “antigamente traidor era enforcado” e disse que há hoje “vários traidores” que vão aos Estados Unidos pedir punições contra o Brasil. Em outras ocasiões, Lula já chamou integrantes da família Bolsonaro de traidores da pátria.
Tom que ecoa Flávio Bolsonaro
A resposta do Departamento de Estado, limitada a mencionar “liberdade de expressão” e “integridade do processo democrático”, segue o mesmo tom adotado por Flávio Bolsonaro. Na terça-feira (21), o pré-candidato voltou a atacar as urnas eletrônicas com acusações já desmentidas pelo TSE. A família Bolsonaro mantém Rubio como aliado direto nos Estados Unidos.
O episódio se soma a uma sequência de atritos entre Brasília e Washington. Dias antes, o posicionamento cauteloso do porta-voz contrasta com o tom do próprio Rubio, que atribuiu a Lula a responsabilidade pelo tarifaço de 25% imposto ao Brasil.
O Planalto, por sua vez, já classificava a medida como parte de uma estratégia política. O governo brasileiro já havia acusado a Casa Branca de usar as tarifas para favorecer eleitoralmente Flávio Bolsonaro, hipótese que ganha força com a nova declaração do Departamento de Estado.
Lula encerrou o discurso dizendo estar “convidando quem quiser do mundo para ver as eleições aqui no Brasil” e afirmando não ter “o direito de perder essas eleições” em 2026.
