O petróleo Brent superou os US$ 96 (cerca de R$ 486,06) por barril nesta quinta-feira (23), maior valor desde o início de junho, após a escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã ameaçar o fornecimento global de energia.
A alta ocorre em meio a restrições à navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural comercializados no mundo, e reacende o temor de uma nova onda inflacionária.
Conflito na costa iraniana intensifica pressão sobre o mercado
O Brent subia 2,2%, para US$ 96,14 por barril, enquanto o WTI, referência dos Estados Unidos, avançava 1,8%, para US$ 88,35. No início de julho, o barril era negociado abaixo de US$ 72, antes da intensificação do conflito no Oriente Médio.
Na quarta-feira (22), os militares americanos anunciaram a 12ª noite consecutiva de ataques contra o Irã, enquanto os dois lados ampliam ações contra infraestruturas civis, dificultando ainda mais a circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
Escalada que já dura semanas
O rali atual dá sequência a um movimento que já vinha se desenhando desde 13 de julho, quando o Irã fechou o Estreito de Ormuz e o Brent disparou mais de 3% após Trump declarar o cessar-fogo encerrado. A escalada não é nova: já em 9 de julho, um ataque americano a 90 alvos na costa iraniana havia levado o Brent a pouco mais de US$ 78, patamar bem abaixo dos US$ 96 atuais.
A disparada dos preços reacende o temor de uma nova onda inflacionária global. Analistas avaliam que o custo mais alto da energia pode pressionar empresas e consumidores e levar bancos centrais, como o Federal Reserve, a manter os juros elevados por mais tempo ou até promover novos aumentos.
Apesar da tensão no mercado de energia, as bolsas asiáticas tiveram desempenho majoritariamente positivo nesta quinta-feira. O Kospi, da Coreia do Sul, subiu 3,7%, impulsionado por ações ligadas à inteligência artificial, enquanto o Nikkei, do Japão, avançou 0,5%.
Em Wall Street, no entanto, o impacto da alta do petróleo manteve investidores cautelosos, com os principais índices operando próximos da estabilidade.
