Economia

Greer promete mais investigações da Seção 301 e defende tarifas ao Brasil

Representante comercial dos EUA classifica alíquotas de 25% como 'diferenciadas' e sinaliza novas ações contra práticas comerciais globais
Tarifas de 25% Estados Unidos Brasil: representação visual do conflito comercial em montagem editorial

O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou nesta terça-feira (2) que o governo Trump divulgará os resultados de várias investigações comerciais da Seção 301 nas próximas semanas.

Em entrevista ao programa Squawk Box, da CNBC, Greer defendeu as tarifas de 25% propostas para o Brasil, chamando-as de “bastante diferenciadas” em razão das isenções concedidas a setores como carne bovina, café, metais e energia.

A declaração de Greer repercute o relatório divulgado pela USTR na segunda-feira, que concluiu a investigação da Seção 301 e formalizou a proposta de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras — com isenções pontuais para produtos estratégicos aos EUA.

O documento acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os americanos. Entre os pontos levantados estão o sistema de pagamentos instantâneos PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria digital e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Produtos isentos das tarifas

Apesar das alíquotas de 25%, o USTR incluiu uma lista ampla de exceções. Ficam de fora da medida determinadas carnes, frutas, minerais, café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem.

Também estão isentos aeronaves e peças fabricadas no Brasil, terras raras, produtos químicos orgânicos, medicamentos, fertilizantes, além de materiais informativos e doações.

Ao justificar a política tarifária americana, Greer afirmou que o programa tem gerado “resultados muito bons” para o aumento das exportações dos EUA. Segundo ele, alíquotas substanciais são necessárias para corrigir práticas comerciais “injustas” persistentes ao redor do mundo e reduzir o déficit comercial “gigantesco” do país.

O representante também anunciou que novas ações da Seção 301 — mecanismo que permite aos EUA aplicar tarifas em retaliação a práticas consideradas desleais — serão reveladas nas próximas semanas, indicando que o Brasil não é o único alvo da pressão comercial americana.

Greer, descrito por assessores brasileiros como o “policial mau” nas negociações, já havia pressionado o ritmo das tratativas durante a cúpula de 7 de maio — quando o Brasil conseguiu um prazo de 30 dias que, no fim, não impediu o avanço da investigação.