Política

Lula ganha prazo e evita novas tarifas em reunião tensa com Trump

Bastidores mostram surpresa com terras raras, silêncio sobre PCC e o 'policial mau' americano nas negociações
Reunião Lula Trump tarifas: presidentes em negociação diplomática sobre comércio bilateral

A reunião entre Lula e Trump na Casa Branca terminou com o principal objetivo do governo brasileiro cumprido: ganhar tempo antes das eleições de outubro. Um grupo de trabalho com prazo de 30 dias foi criado para discutir tarifas, e Brasília entende que novas sanções estão bloqueadas enquanto o processo avança.

O encontro desta quinta-feira foi tenso em um ponto específico: a pressão tarifária exercida pelo representante americano de Comércio, Jamieson Greer, descrito por assessores brasileiros como o “policial mau” — aquele que forçou o ritmo das negociações.

O Brasil enfrenta duas investigações abertas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA — instrumento que permite ao governo americano retaliar com tarifas práticas comerciais consideradas injustas. Uma das apurações tem prazo para concluir em julho e poderia servir de base para novas sanções antes mesmo desse limite.

Três semanas antes do encontro na Casa Branca, delegações dos dois países já haviam se reunido em Washington justamente para debater a Seção 301 — o mecanismo que dominou as discussões entre Lula e Trump. A criação do grupo de trabalho foi interpretada por Brasília como uma garantia de pelo menos 30 dias sem novas tarifas.

Para rebater a pressão de Greer, a equipe econômica brasileira — liderada pelos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento) — apresentou dados que mostram superávit dos EUA na balança comercial bilateral: ao menos US$ 20 bilhões nos últimos anos, segundo Brasília; US$ 30 bilhões pelos próprios cálculos americanos.

O que a Seção 301 investiga

A investigação abrange temas como comércio digital, o sistema Pix, proteção de dados, propriedade intelectual e acesso do etanol americano ao mercado brasileiro. O governo brasileiro nega qualquer irregularidade e afirma que suas políticas são compatíveis com as normas da OMC, ressaltando que a Seção 301 é um instrumento unilateral.

A surpresa com terras raras

Um dos momentos que mais surpreendeu a delegação brasileira foi a postura de Trump diante do tema de minerais críticos. A equipe havia se preparado com documentos detalhados: o Brasil detém a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, atrás apenas da China, e a Câmara dos Deputados aprovou nesta semana um projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE).

O interesse de Trump foi descrito como “mediano”. A avaliação interna é de que os americanos já avançam na prática: em abril, uma empresa dos EUA adquiriu uma mineradora de terras raras em Goiás. Lula deixou claro que o Brasil aceita investimentos no setor, mas exige beneficiamento em território nacional — sem exportar apenas matéria-prima. Nenhum acordo foi assinado.

Na véspera do encontro, a própria diplomacia brasileira descrevia a cúpula como “mais um ponto de partida do que um ponto de chegada” — e os bastidores confirmaram a avaliação, sobretudo nas pautas de tarifas e minerais críticos.

Crime organizado fora da pauta

A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais — ponto prioritário da diplomacia brasileira — não entrou na conversa entre os presidentes. Segundo Lula, suas propostas foram entregues a Trump por escrito, em inglês, para evitar ambiguidades sobre as intenções brasileiras.

Durante o almoço entre as delegações, o Brasil apresentou proposta de cooperação focada em dois eixos: combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. Lula sugeriu ainda um grupo multilateral com países da América Latina para coordenar ações conjuntas contra cartéis e organizações criminosas.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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