O presidente Lula reagiu nesta terça-feira (2) à proposta americana de impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, associando os chamados “filhos de Bolsonaro” ao conflito comercial com Washington.
A declaração ocorre após os Estados Unidos concluírem, na segunda-feira (1º), uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio americano. A tarifa ainda não está em vigor.
O USTR — Escritório de Comércio dos Estados Unidos — encerrou formalmente sua investigação na segunda-feira (1º). O órgão, que abriu o processo por ordem de Trump em julho de 2025, propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, citando o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e supostas falhas na aplicação de leis anticorrupção como práticas que prejudicariam o comércio americano.
A sobretaxa de 25% não incide sobre todos os produtos. O USTR elaborou uma lista de exceções para itens considerados estratégicos por Washington: carne, frutas, café, aeronaves e terras raras ficaram de fora da taxação.
A declaração de Lula gerou resposta imediata da oposição. Flávio Bolsonaro, um dos filhos a quem o presidente aludiu, revelou ter pedido pessoalmente a Trump, durante visita à Casa Branca na semana passada, que os EUA não taxassem o Brasil — e virou o argumento contra Lula: “Quem está sendo retaliado não são as empresas brasileiras. Quem está sendo retaliado é o próprio Lula.”
A medida ainda não é definitiva. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as tarifas entrem em vigor — mantendo aberta a possibilidade de negociação entre os dois países.
