Saúde

CFM lança plataforma Medicina Segura contra falsos médicos

Quase 10 mil casos em 12 anos mostram que o problema é maior do que os dados oficiais revelam
Sede do CFM em Brasília representando a luta contra exercício ilegal da medicina Brasil

O Conselho Federal de Medicina (CFM) lança nesta quinta-feira (28) a plataforma Medicina Segura, canal digital que vai permitir a médicos registrarem denúncias de pacientes prejudicados por procedimentos realizados por quem não tem habilitação médica.

A iniciativa responde a um problema que cresce nas sombras: pelo menos dois novos casos de exercício ilegal da medicina entram na Justiça ou nas polícias civis dos estados a cada dia, de acordo com o próprio conselho.

O número oficial já é expressivo: entre 2012 e 2023, o Brasil registrou 9.566 casos de crimes classificados como exercício ilegal da medicina, levantados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por boletins de ocorrência. O CFM avalia que a cifra real é muito maior, já que boa parte das ocorrências nunca chega ao judiciário nem à polícia.

Três frentes de combate

O presidente do CFM, José Hiran Gallo, detalha que a Medicina Segura atua em três direções: promove educação à população, cria parcerias com órgãos públicos para reforçar o cerco ao exercício ilegal e abre um canal direto para que médicos relatem situações de pacientes atendidos por profissionais sem habilitação.

Apenas médicos terão acesso à plataforma para registrar denúncias. Após o registro, o paciente poderá acompanhar toda a tramitação e as medidas cabíveis. O modelo centraliza informações hoje dispersas em registros policiais e processos judiciais espalhados pelo país.

A preocupação do CFM com não médicos realizando procedimentos exclusivos não é recente. Em maio, o conselho proibiu explicitamente que qualquer não médico manipulasse fenol após a morte de um empresário em clínica estética de São Paulo — exatamente o tipo de caso que a Medicina Segura busca mapear e punir. CFM regulamenta fenol para uso médico, mas Anvisa mantém proibição estética.

A segunda vice-presidente do CFM e coordenadora do projeto, Rosylene Rocha, destaca que a plataforma tem como objetivo coletar dados fidedignos diretamente dos atendimentos registrados por médicos em consultórios e hospitais de todo o país.

A gravidade do cenário é rotineira. “Toda a população precisa estar consciente de que aquele profissional não está capacitado a realizar aquele procedimento. Muitos chegam às clínicas achando que é médico por estar de jaleco, por ter na frente do seu nome a palavra ‘doutor'”, alerta Rocha.

Segundo a coordenadora, toda semana o CFM se depara com pelo menos um caso de morte ou sequela grave causados por procedimentos realizados sem habilitação. O setor estético concentra parte expressiva dessas ocorrências, onde a distinção entre o permitido e o proibido é sistematicamente desrespeitada.

Com a Medicina Segura, o conselho quer redefinir a escala real do problema. A subnotificação histórica — alimentada pela falta de um canal unificado — pode ter mascarado por anos o verdadeiro impacto do exercício ilegal da medicina sobre a população brasileira.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Plataformas digitais lucram com venda de receitas e atestados médicos falsos

CFM regulamenta fenol para uso médico, mas Anvisa mantém proibição estética

Complicações estéticas sobem 90% com não médicos e colocam vidas em risco no Brasil

Médicos que prescrevem maconha medicinal enfrentam processos e insegurança jurídica

Acusações contra Prevent Senior travam na Justiça enquanto médicos denunciantes enfrentam processos

Base do CPF tem 300 mil centenários a mais do que o Brasil possui, aponta TCU