O Serviço Geológico do Brasil (SGB) encontrou concentrações relevantes de elementos terras raras no Cinturão Ribeira, faixa geológica que percorre São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Algumas amostras registraram teores superiores a 8 mil partes por milhão — patamar considerado elevado para esse tipo de ocorrência geológica.
Os resultados integram a fase inicial de um projeto de pesquisa que se estende até 2027, com novas idas a campo previstas ainda para este ano.
O trabalho incluiu coleta de amostras de solo e rocha em 15 municípios distribuídos pelos três estados: Itupeva, Alumínio, Morungaba, Capão Bonito, Juquiá, Jacupiranga, Cajati, Itapirapuã Paulista e Cananéia (SP); Cerro Azul, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul (PR); além de Joinville e Garuva (SC).
As áreas foram priorizadas com base no Mapa de Potencial de Elementos Terras Raras (ETR) elaborado pelo próprio SGB. A coordenadora do Projeto Terras Raras, Lucy Takehara, explica que a próxima etapa focará nas regiões com resultados mais expressivos.
“Essa primeira fase de amostragem foi um estudo regional. Agora, nas áreas em que identificamos teores mais elevados, faremos um detalhamento com amostragens mais sistemáticas para identificação ou confirmação desses teores anômalos”, afirmou a pesquisadora.
A região é conhecida pela presença de minerais associados a terras raras tanto em complexos alcalino-carbonatíticos quanto em rochas graníticas. Novas visitas a campo previstas para 2026 incluirão municípios paulistas como Sete Barras, Tapiraí, Piedade e Natividade da Serra.
Takehara ressaltou que a identificação positiva não equivale à confirmação de uma jazida pronta para exploração. O objetivo da fase atual é ampliar o conhecimento geológico e subsidiar mapas de favorabilidade mineral em escala mais detalhada.
O mapeamento do Cinturão Ribeira ocorre num momento em que o Brasil recém-aprovou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com R$ 5 bilhões em créditos fiscais condicionados ao processamento dos minérios em solo nacional.
Posição estratégica do Brasil
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais à indústria de alta tecnologia — presentes em baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar de relativamente abundantes na natureza, sua extração é complexa e de alto valor econômico, o que eleva a importância estratégica de novos depósitos identificados em território nacional.
A descoberta reforça a posição do Brasil, que já detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo — status que colocou o país no centro de um debate sobre soberania e controle estrangeiro após a venda de uma mineradora goiana por US$ 2,8 bilhões a uma empresa americana.
Em termos técnicos, o teor de 8 mil partes por milhão (ppm) significa que, a cada um milhão de partes analisadas, 8 mil correspondem a elementos terras raras — proporção que indica enriquecimento mineral expressivo segundo os padrões do setor.