O Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificou potencial para a presença de terras raras em 12 estados brasileiros. O levantamento inclui áreas com estudos em andamento e locais onde já há confirmação de depósitos desses minerais. A descoberta pode impulsionar a cadeia produtiva nacional e fortalecer setores estratégicos.
Estados com potencial para terras raras
Segundo o SGB, os estados com potencial são: Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Pará, Rondônia, Roraima, Amazonas e Piauí. Nessas regiões, há tanto estudos para detectar a presença dos minerais quanto áreas com depósitos já confirmados.
A maior parte das reservas identificadas está associada a rochas alcalino-carbonáticas em Araxá (MG), Tapira (MG) e Catalão (GO), além de depósitos de argila iônica em Poços de Caldas (MG) e Seis Lagos (AM). Projetos avançados também ocorrem no sul da Bahia, envolvendo rochas monazíticas e argila iônica, e no Grupo Mata da Corda (MG).
O SGB revelou ainda a identificação de 39 novas ocorrências de fosfato, elementos terras raras (ETR) e urânio na borda oriental da Bacia do Parnaíba, no Piauí. Se confirmados por estudos aprofundados, esses achados podem colocar o Brasil em posição de destaque no mercado global de minerais estratégicos.
Importância e desafios das terras raras
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minérios e de difícil extração. Apesar do nome, não são necessariamente raros, mas o processo de isolar esses elementos em alta pureza é caro e complexo.
Esses minerais são essenciais para a produção de turbinas eólicas, motores de carros elétricos, chips de computadores e celulares, equipamentos médicos avançados, satélites, foguetes, mísseis e dispositivos eletrônicos de última geração. Por isso, estão no centro da economia do século 21 e de disputas geopolíticas globais.
Brasil tem reservas, mas carece de indústria
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o Brasil possui cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, ficando atrás apenas da China, que domina a tecnologia de beneficiamento e refino desses minerais. “A China tomou uma decisão estratégica há décadas: dominar toda a cadeia produtiva das terras raras. É isso que falta ao Brasil”, afirmou Fernando Landgraf, professor da Escola Politécnica da USP.
Atualmente, o Brasil exporta principalmente matéria-prima bruta, sem tecnologia de refino instalada em escala industrial. Isso faz com que o país perca valor ao longo da cadeia produtiva e permaneça como fornecedor periférico, mesmo diante da crescente demanda global.