O Serviço Geológico do Brasil (SGB) identificou 39 novas ocorrências de fosfato, terras raras e urânio na borda oriental da Bacia do Parnaíba, no Piauí.
O estudo preliminar, divulgado em junho de 2024, aponta que a região apresenta alto potencial para minerais estratégicos essenciais para tecnologia, energia e agricultura.
A confirmação da reserva pode posicionar o Brasil como destaque global e fortalecer a cadeia produtiva nacional.
Descoberta e potencial estratégico
Segundo relatório do SGB, os pesquisadores identificaram teores de fósforo entre 16% e 27% nas concreções fosfáticas, com valor máximo anômalo de 2,3%. Nos arenitos, o teor médio de terras raras chegou a 0,2%, com picos de até 0,4%. O urânio foi detectado em teores de 9 a 1.270 ppm, considerados acima da média dos principais depósitos mundiais.
O diretor de Geologia e Recursos Minerais do SGB, Valdir Silveira, afirma: “Os resultados são preliminares, mas a tríade de minerais estratégicos no mesmo contexto é um bom indicativo”. Ele destaca que a concentração em rochas fosfáticas é rara e que os valores encontrados posicionam a tipologia como uma das mais enriquecidas do mundo.
A Bacia do Parnaíba abrange áreas do Maranhão, Piauí e Ceará, sendo a bacia sedimentar intracratônica mais estudada do país, com 331 mil km² e 282 municípios. As formações geológicas da região se originaram em períodos de efeito estufa global, com inundações marinhas que favoreceram a deposição de fósforo e concentração de elementos estratégicos em ambientes anóxicos.
Impactos econômicos e próximos passos
A descoberta pode impulsionar setores como energia limpa, agricultura e indústria de alta tecnologia. O urânio, por exemplo, ganha relevância diante da necessidade global de diversificação da matriz energética. Silveira avalia que “o mercado mundial de urânio pode colocar o Brasil em posição de destaque em curto espaço de tempo”.
O SGB ressalta que não há desafios tecnológicos ou ambientais significativos para a extração em rochas fosfáticas. O próximo passo será aprofundar os estudos em parceria com instituições como INCT e CETEM, visando avaliar o aproveitamento das ocorrências e atrair investimentos privados.
Potencial brasileiro nas terras raras
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. No entanto, o país ainda exporta grande parte dos minérios em estado bruto, sem agregar valor. O governo federal trabalha para incentivar a industrialização do setor e superar gargalos no beneficiamento e refino.
A confirmação das reservas pode fortalecer a cadeia produtiva nacional, reduzir dependência externa e atrair investimentos estratégicos para o desenvolvimento tecnológico e energético do país.