As terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais para a indústria, estão no centro de uma disputa internacional. A maior parte dessas reservas está concentrada na China e no Brasil, tornando os dois países estratégicos para a economia global. O controle chinês sobre a produção preocupa potências como os Estados Unidos, enquanto o Brasil busca ampliar sua participação no setor.
O que são terras raras e por que são estratégicas
As terras raras são 17 elementos químicos fundamentais para produtos modernos, como smartphones, televisores, câmeras digitais e LEDs. Mesmo em pequenas quantidades, são insubstituíveis, especialmente na fabricação de ímãs permanentes, que mantêm propriedades magnéticas por décadas e são essenciais para turbinas eólicas, veículos elétricos e tecnologias de defesa, como aviões de caça e submarinos. O valor comercial desses elementos é elevado devido à sua importância estratégica.
Produção e concentração global
Apesar do nome, as terras raras não são raras, mas estão presentes em baixas concentrações. O desafio é encontrar depósitos economicamente viáveis. Atualmente, 70% da produção mundial está na China, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A mina de Bayan Obo, no norte chinês, é a principal do mundo, superando depósitos como Monte Weld, na Austrália, e Kvanefjeld, na Groenlândia. Além da extração, a China domina o refino e a produção de ímãs, levando a uma dependência global, especialmente da União Europeia, que importa até 100% de certos elementos do país asiático.
Brasil amplia relevância com reservas estratégicas
No Brasil, a presença de minerais estratégicos como nióbio, lítio, grafite, cobre, cobalto, urânio e terras raras tem atraído a atenção internacional. O país conta com vantagens como matriz energética limpa, estabilidade territorial, tradição mineradora e conhecimento técnico. Estudos indicam reservas promissoras na Bacia do Parnaíba (Maranhão, Piauí e Ceará) e na Elevação do Rio Grande (ERG), uma ilha submersa do tamanho da Espanha a 1.200 km da costa do Rio Grande do Sul. Pesquisas da USP revelam que o solo da ERG é semelhante ao do interior paulista e rico em minerais estratégicos.
Outro destaque é Minaçu, em Goiás, que possui depósitos de terras raras em argila iônica, sendo a única região fora da Ásia a produzir esses minerais em escala comercial. O domínio chinês sobre o setor acendeu alertas no Ocidente, levando EUA e União Europeia a formar reservas estratégicas e buscar diversificação de fornecedores, colocando o Brasil em posição de destaque nas transformações tecnológicas e energéticas do século 21.