Economia

Senacon cobra Live Nation e Ticketmaster por falhas no show do BTS em São Paulo

Órgão quer saber se o estádio superlotou e quantos ingressos foram vendidos no lote extra; empresas podem pagar multa de R$ 100 mil
Integrantes do BTS ao lado de autoridade da Senacon em fala, ilustrando a cobrança da Senacon sobre o show do BTS

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) deu 24 horas para a Live Nation Brasil e a Ticketmaster Brasil explicarem os problemas relatados por fãs no primeiro show da turnê Arirang, do BTS, no Estádio MorumBIS, em São Paulo.

A notificação foi enviada na quinta-feira (29), um dia depois da apresentação. O órgão quer saber se o público ficou dentro da lotação autorizada e por que houve falhas no acesso ao estádio e nos ingressos digitais.

Segundo a secretaria, a empresa que não cumprir a notificação poderá ser multada em R$ 100 mil.

O que os fãs relataram

As queixas que chegaram à Senacon descrevem filas longas e desorganizadas, dificuldade para entrar no estádio, falta de sinalização e superlotação. Também houve relatos de ingressos digitais que não apareceram no aplicativo ou não foram validados na entrada.

Outro ponto que chamou a atenção do órgão foi a venda de um lote adicional de ingressos para as três apresentações do grupo, aberta perto das datas dos shows. A secretaria quer saber quantas entradas foram vendidas nesse lote e se o total respeita a capacidade máxima liberada para o MorumBIS.

O que cada empresa precisa entregar

Live Nation

A produtora deve apresentar os documentos de segurança e funcionamento do evento, como alvarás, licenças e o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Também precisa informar quantos ingressos foram emitidos por data e setor, incluindo cortesias, credenciais e o lote extra, além do número de consumidores prejudicados.

Ticketmaster

A plataforma terá de informar quantos ingressos vendeu e emitiu por data e setor, explicar quando e como o lote adicional foi liberado e dizer se recebeu da produtora os documentos com a capacidade máxima do estádio antes de abrir as vendas.

A empresa ainda deve detalhar as falhas nos ingressos digitais, o número de afetados, quantas entradas foram validadas nas catracas e quantas reclamações e pedidos de reembolso recebeu.

O que dizem as empresas

Ao Poder360, a Live Nation Brasil afirmou que o show de quarta-feira (28) ocorreu “rigorosamente dentro da capacidade de público autorizada”. A produtora diz que houve “situações pontuais”, já resolvidas, e que todas as pessoas com ingressos oficiais conseguiram entrar. A Ticketmaster Brasil não havia respondido até a publicação da reportagem original.

Revendas suspensas em todo o país

A pressão sobre o mercado de ingressos vai além do show do BTS. Em decisão publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (28), a Senacon mandou cinco plataformas suspenderem, em até 72 horas, a intermediação de novas revendas de ingressos para eventos no Brasil: BuyTicket, FunBuyNet (Global Entretenimento), StubHub, TicketSwap Brasil e Viagogo.

De acordo com a secretaria, as plataformas falham em transparência: não informam com clareza quem são os vendedores nem o preço final dos ingressos, com taxas e tributos.

O cerco não é novo. Em julho, o Ministério da Justiça já havia aberto processo contra a Viagogo, uma das plataformas agora com revendas suspensas, e colocado a Ticketmaster sob fiscalização por uso de robôs cambistas.