O Ministério do Planejamento e Orçamento autorizou um crédito suplementar de R$ 5,166 bilhões para reforçar despesas do Executivo. A prioridade é o Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguido da assistência farmacêutica do SUS.
O dinheiro não é novo. Segundo a Portaria nº 485/2026, os recursos vêm da anulação de dotações já previstas nos orçamentos fiscal e da Seguridade Social, ou seja, de cortes em outras áreas do governo.
BPC fica com quase todo o reforço
A maior fatia, de R$ 4,726 bilhões, vai para o Fundo Nacional de Assistência Social. O valor paga o BPC à pessoa com deficiência e a Renda Mensal Vitalícia (RMV) por invalidez e equivale a cerca de 90% do total autorizado.
A saúde vem em segundo lugar. São R$ 387,6 milhões para o Fundo Nacional de Saúde, que serão usados na compra e distribuição de medicamentos da atenção básica e no fornecimento de remédios do componente especializado em vários estados.
Estados com maior reforço em medicamentos
- São Paulo: R$ 66 milhões
- Paraná: R$ 56,9 milhões
- Rio Grande do Sul: R$ 48,2 milhões
- Minas Gerais: R$ 30,4 milhões
- Goiás: R$ 26,4 milhões
Demais destinos
O restante se divide em valores menores: R$ 27,4 milhões para o ensino profissional marítimo militar, R$ 10,9 milhões para a administração do Ministério da Agricultura, R$ 10,6 milhões para projetos de desenvolvimento sustentável local integrado e R$ 2,3 milhões para sentenças judiciais da Nuclebras Equipamentos Pesados (Nuclep).
Há ainda R$ 653,3 mil para a preservação e o acesso ao patrimônio cultural da saúde e R$ 463 mil para o auxílio-moradia de agentes públicos do Ministério da Justiça.
De onde sai o dinheiro
Para abrir o crédito, a portaria cancela dotações de vários órgãos e programas federais. Entre as principais fontes estão subvenções econômicas para operações agropecuárias, transferências do setor energético, despesas de pessoal de diferentes órgãos e programas da própria área da saúde.
Também foram anuladas verbas de aposentadorias e pensões civis da União em universidades federais, institutos federais de educação e hospitais universitários. Saíram ainda recursos de benefícios previdenciários, assistência social, defesa nacional e outras ações. O material divulgado não detalha quanto foi retirado de cada rubrica nem o efeito dos cortes nas áreas que perderam verba.
O remanejamento continua os ajustes feitos ao longo do ano. Em julho, ao revisar as projeções do Orçamento de 2026, a equipe econômica reduziu em R$ 3,2 bilhões a estimativa de gastos com o BPC e previu R$ 3,4 bilhões a mais para a saúde. Agora, as duas áreas voltam a receber reforço.