Política

Meta, Google e X dizem ao TSE que canal Exército do Lula não violou suas regras

Plataformas veem mobilização de contas reais, sem robôs; Meta pede mais cinco dias, e tribunal nega ter mandado tirar canal do ar
Fachada do TSE em colagem editorial sobre o canal Exército do Lula TSE e a análise das plataformas digitais

Meta, Google e X informaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na noite de sexta-feira (23), que não encontraram violação de suas regras na mobilização feita a partir do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

As respostas atendem a um pedido de informações do presidente do TSE, Nunes Marques, feito a partir de ação da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na sexta, o canal chegou a 10 milhões de membros.

O que cada plataforma respondeu

A Meta, dona do WhatsApp, do Instagram, do Facebook e do Threads, afirmou que sua análise técnica não identificou violação das políticas da empresa. Segundo a companhia, a atuação coordenada só é proibida quando ligada a “atividades violentas ou criminosas”, e não a mobilização política lícita.

A empresa ressalvou, porém, que ainda não examinou todos os documentos do processo e pediu mais cinco dias para concluir a análise.

O X confirmou ter identificado ação coordenada em 58 hashtags, que somaram 8,2 milhões de publicações. A plataforma ponderou que a mobilização partiu “predominantemente” de contas autênticas de usuários brasileiros, o que não é vedado nem por suas regras nem pela legislação eleitoral.

O Google relatou não ter encontrado sinais de tráfego automatizado ou de robôs. A empresa acrescentou que o aumento no volume de buscas, por si só, não configura manipulação irregular de conteúdo.

A acusação da campanha de Flávio

Na ordem às plataformas, obtida pela Gazeta do Povo, Nunes Marques resume a denúncia da campanha de Flávio: uma “coordenação em rede” operada a partir do canal de Janones, com “hashtags em horário marcado, comentários ditados e textos prontos” que seriam replicados no Instagram, no Facebook e no Threads.

As respostas chegam depois de Nunes Marques ter dado 24 horas à Meta, na quinta-feira, para detalhar o funcionamento do canal e explicar como distingue mobilização legítima de comportamento coordenado.

TSE nega ter determinado suspensão de canal

Segundo a campanha de Lula, havia a possibilidade de o presidente do TSE suspender o canal no WhatsApp. Depois de se reunir com as plataformas, Nunes Marques descartou essa hipótese.

Em comunicado, o tribunal afirmou que “não determinou a retirada de nenhum canal de WhatsApp do ar” e classificou como “absolutamente indevidas” as ilações feitas a partir de despachos que pedem informações em prazo curto, que o TSE descreve como regra nos processos de propaganda.

Reforço na reta final

Também na sexta, o ministro pediu às big techs que reforcem suas equipes neste fim de semana para garantir o cumprimento do plano de conformidade na reta final da eleição presidencial.

O caso é mais um capítulo da disputa judicial em torno do canal. O atrito entre ministros do TSE já havia levado Nunes Marques a reunir as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro para tentar reduzir o número de ações na Justiça Eleitoral.