Economia

União Europeia vai propor retomar importação de frango e mel do Brasil

Auditoria teve conclusão positiva, mas a carne bovina segue fora: Bruxelas diz que o país não garante controle ao longo da vida do animal
Bandeiras do Brasil e da União Europeia lado a lado, ilustrando a União Europeia importação frango Brasil e a retomada

A Comissão Europeia anunciou nesta quarta-feira (21) que pretende propor a volta do Brasil à lista de países autorizados a exportar carne de aves e mel para a União Europeia. A importação desses produtos está suspensa desde setembro.

A proposta ainda precisa ser votada pelos países-membros na próxima reunião do comitê responsável pelo tema. A carne bovina ficou de fora da medida.

Auditoria abriu caminho para aves e mel

Em nota, a Comissão informou que apresentou aos países-membros os resultados de uma auditoria feita no Brasil sobre a produção de carne de aves e mel. Segundo o órgão, as conclusões foram positivas.

A sinalização não surpreende quem acompanha o caso. Em 28 de setembro, o relatório da DG Santé concluiu que o Brasil cumpre as exigências do bloco para frango e mel, o que abriu a primeira brecha no embargo.

Durante a reunião, os representantes dos países levantaram dúvidas sobre o alcance da proposta, sobre os mecanismos para separar produtos destinados a mercados diferentes e sobre o controle das prescrições veterinárias. De acordo com a Comissão, essas questões foram discutidas no encontro.

Por que o Brasil foi barrado

A suspensão das importações de produtos de origem animal brasileiros começou em setembro e atingiu principalmente as carnes bovina e de aves. O bloco quer garantias de que substâncias antimicrobianas proibidas não são usadas na produção.

O veto havia sido anunciado em maio, quando a UE excluiu o Brasil da lista de exportadores por falta de garantias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.

Carne bovina segue sem previsão

No caso da carne bovina, a Comissão não pretende, por enquanto, propor a retomada das compras. Segundo o órgão, o Brasil ainda não consegue certificar de forma confiável que cumpre as exigências durante toda a vida dos animais.

O setor já trabalhava com um prazo mais longo. A expectativa é que a volta do Brasil à lista europeia para a carne bovina só ocorra em 2027, porque a UE exige comprovação de que o animal não recebeu antimicrobianos do nascimento ao abate.

O impasse afeta o maior exportador mundial de carne bovina e de frango, onde estão sediadas gigantes do setor como JBS, MBRF e Minerva. Para os exportadores de aves e mel, o próximo passo é a votação dos países-membros no comitê do bloco.