Negócios

Brasil altera regras de exportação de carnes para evitar embargo da UE

Frigoríficos têm até setembro para adotar controles auditáveis que comprovem conformidade com exigências antimicrobianas europeias
Bandeiras de Brasil e União Europeia em composição editorial sobre exportação de carne brasileira

O Ministério da Agricultura editou novas regras de exportação para carne e derivados destinados à União Europeia, numa corrida contra o prazo de 3 de setembro, quando o bloco pode suspender os embarques brasileiros.

A crise tem origem no uso de antimicrobianos — substâncias proibidas pelas normas europeias —, que levou a UE a retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne ao bloco em maio deste ano.

Pelos novos critérios, os frigoríficos autorizados a operar no mercado europeu precisarão implementar sistemas de controle auditáveis, com rastreabilidade completa de animais e materiais e evidências documentais da elegibilidade dos lotes exportados. A circular do Ministério é datada de 1º de julho.

Para facilitar a adequação, o governo publicou em 29 de maio uma portaria criando o Protocolo de Certificação para Bovinos Livres do Uso de Medicamentos Antimicrobianos. A adesão é voluntária, mas imprescindível para quem pretende manter acesso ao mercado europeu.

O processo prevê a contratação de certificadora credenciada, assinatura de termo de adesão, elaboração de planos sanitário e nutricional e comprovação de controle sobre os medicamentos proibidos. Após análise documental e vistoria na propriedade, o certificado pode ser emitido em até sete dias.

O que está em jogo

O risco vai além da carne bovina. O Brasil pode perder acesso ao mercado europeu para carne de aves, ovos, produtos da aquicultura, mel e tripas. Em 2025, as exportações de aves somaram US$ 800 milhões e as de carne bovina ultrapassaram US$ 1 bilhão.

Mesmo assim, a União Europeia representa apenas 5,8% do valor total exportado em carne bovina pelo Brasil — terceiro maior destino do produto, atrás de China (49,3%) e Estados Unidos (9%), segundo dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura.

A mudança regulatória ocorre semanas depois de o presidente Lula negociar pessoalmente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a criação de um mecanismo bilateral para evitar a suspensão dos embarques em setembro — tratativas realizadas à margem do G7. Saiba mais sobre a negociação de Lula com a UE no G7.

O cenário é ainda mais delicado para os frigoríficos porque o Brasil deve esgotar em agosto sua cota anual de exportação de carne bovina para a China, tornando a manutenção do acesso europeu estrategicamente relevante para o setor. Entenda como a cota chinesa pressiona os preços do boi gordo.

O escrutínio europeu vai além da carne: em junho, auditores da UE visitaram o Brasil para avaliar as condições sanitárias da produção pesqueira — contexto em que o bloco já havia excluído o país da lista de exportadores autorizados de carnes e pescados por falhas no controle de antimicrobianos. Veja a avaliação da UE sobre o pescado brasileiro.

Procuradas pela Reuters, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) não quis comentar a medida, enquanto a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) não respondeu até o fechamento desta reportagem.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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