O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta quarta-feira (13) que o veto da União Europeia à importação de carne brasileira deve “se equacionar”. A declaração foi feita durante o 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), em Brasília.
Na véspera, a UE excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne para o bloco por não apresentar garantias suficientes sobre o controle de antimicrobianos na pecuária. As restrições entram em vigor em 3 de setembro.
A exclusão abrange carne bovina, frango, ovos, mel e pescados — mas a carne bovina concentra a maior preocupação, por ser um dos itens de maior valor agregado da pauta exportadora brasileira. Argentina, Paraguai e Uruguai, também membros do Mercosul, seguem autorizados a exportar ao bloco.
O governo brasileiro disse ter recebido a decisão “com surpresa” e informou que atuará diplomaticamente para tentar reverter o veto antes que as restrições entrem em vigor. O argumento central é que o Brasil já dispõe de legislação que proíbe as substâncias questionadas pelos europeus.
Alckmin e o cenário comercial global
No discurso em Brasília, Alckmin citou o acordo Mercosul-UE — o maior entre blocos do mundo, abrangendo um mercado de US$ 22 trilhões — como base para o diálogo com os europeus. “Claro que havia uma resistência na União Europeia e, principalmente, um receio do acordo com a questão do agro”, disse, acrescentando que o pacto está “bem formatado” com salvaguardas para ambos os lados.
O vice-presidente também atualizou o quadro das relações com os Estados Unidos: afirmou que o “tarifaço” com Washington está “bem equacionado” e citou a investigação da seção 301 — que ainda preocupa — com reuniões importantes previstas para os próximos 30 dias entre representantes dos dois países.
Alckmin lembrou ainda os acordos firmados pelo Mercosul com Singapura e com a EFTA, bloco que engloba Suíça, Noruega e Islândia, como sinalizações do esforço de integração comercial sul-americano.
A nova barreira chega num momento particularmente delicado: o acordo UE-Mercosul havia entrado em vigor provisoriamente apenas em 1º de maio, com a promessa de ampliar justamente o acesso da carne brasileira à Europa — e a exclusão sanitária aponta na direção oposta.
Segundo a UE, os países que desejam continuar exportando carne e produtos de origem animal ao bloco devem demonstrar políticas ativas de controle do uso de antimicrobianos na criação animal. Essas substâncias tratam e previnem infecções, mas algumas também funcionam como promotores de crescimento — uso questionado pelos riscos à saúde pública global.
O Brasil contesta a avaliação europeia e a diplomacia brasileira terá até setembro para apresentar as garantias exigidas. O êxito das negociações determinará se o agronegócio mantém ou perde um de seus principais destinos de exportação de alto valor agregado.
