O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, afirmou nesta quinta-feira (17) que espera a volta do Brasil à lista de países autorizados a exportar carne bovina para a União Europeia ainda em 2027.
Segundo ele, o setor pediu ao governo brasileiro que negocie um período de transição para reduzir o prazo de cerca de dois anos exigido pela UE antes da retomada efetiva do comércio.
Missões técnicas ainda sem data para o setor bovino
Perosa destacou que, embora a UE já tenha concluído, em 4 de setembro, as missões técnicas para verificar as cadeias de mel e frango, não há qualquer previsão de inspeção da cadeia de carne bovina brasileira.
Sem essa etapa, cumprida pelos auditores europeus para verificar os novos protocolos sanitários do país, a retomada das exportações de carne bovina não pode avançar.
Por que a espera pode chegar a dois anos
A União Europeia exige a comprovação de que o bovino não recebeu antimicrobianos do nascimento até o abate, processo que leva cerca de dois anos para ser concluído. É por isso que o setor pede ao governo que negocie um período de transição capaz de abreviar esse prazo.
Para Perosa, a relistagem tem peso que vai além do mercado europeu: a lista da UE serve de referência para cerca de 20 outros países fora do bloco, incluindo o Reino Unido e nações africanas.
Embargo completa duas semanas sem sinal de reversão
Desde 3 de setembro, a União Europeia suspendeu as importações de produtos de origem animal do Brasil, medida que impede o país de exportar carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos para as 27 nações do bloco.
A decisão foi anunciada em maio, quando o governo brasileiro prometeu reverter o veto por meio de três ministérios — promessa que, quatro meses depois, ainda não se concretizou.
O bloqueio não foi motivado por irregularidades encontradas na carne brasileira, mas pela avaliação da UE de que o controle do país sobre o uso de antimicrobianos na pecuária é insuficiente. Essas substâncias tratam infecções em animais, mas o bloco veta seu uso para estimular crescimento e proíbe, na pecuária, antimicrobianos reservados a humanos.
Carne bovina e frango são os itens mais afetados por estarem entre os produtos de origem animal mais exportados pelo Brasil à UE, ainda que representem uma fração pequena do total exportado pelo país.