Saúde

Queimadas no Amazonas: 12 municípios precisam de reforço no SUS, diz Ministério da Saúde

Pasta acompanha estoques de oxigênio e grupos vulneráveis à fumaça após emergência decretada em 36 cidades do estado
Vista aérea da floresta amazônica e fachada do Ministério da Saúde: queimadas no Amazonas saúde pública em alerta

O Ministério da Saúde afirma ter identificado 12 municípios do Amazonas que precisam de algum tipo de suporte nos serviços de saúde por causa das queimadas. A pasta diz monitorar os efeitos do fogo e da fumaça sobre a população e sobre o SUS no estado.

O acompanhamento começou depois que o governo amazonense decretou, em 10 de outubro, situação de emergência em 36 municípios atingidos pelos incêndios florestais.

Segundo o ministério, o trabalho inclui visitas técnicas e apoio às gestões estadual e municipais para evitar a falta de insumos essenciais.

Fumaça ameaça grupos vulneráveis

De acordo com a pasta, crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes estão entre os grupos que exigem atenção especial. A exposição à fumaça pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, o que orienta os cuidados planejados para as áreas afetadas pela estiagem severa e pelo fogo.

Na capital, o cenário já se reflete na qualidade do ar. Manaus amanheceu no sábado (17) encoberta por fumaça, com o ar classificado como péssimo, e a concentração de partículas finas chegou a 401,4 µg/m³. A poluição, que compromete a visibilidade e a rotina da cidade, eleva os riscos à saúde sobretudo de crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias.

Os efeitos já aparecem nos serviços de saúde. Segundo a última atualização da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, os atendimentos por exposição à fumaça na rede pública chegaram a 541 entre o início de outubro, quando a fumaça passou a afetar a população, e 14 de outubro.

O prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), cobrou mobilização de autoridades estaduais, nacionais e internacionais. Segundo ele, a cidade sofre os efeitos de queimadas originadas em outros municípios e estados. “Manaus está sendo sufocada e o mais revoltante é que a nossa cidade não está promovendo as queimadas, mas está pagando um preço altíssimo por elas. Isso é inaceitável”, declarou.

Oxigênio no radar

Um dos pontos acompanhados pelo ministério é o consumo de oxigênio nos territórios, incluindo os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).

Pelas regras de descentralização do SUS, cabe ao gestor local administrar a rede de saúde do seu território, o que inclui comprar, estocar e distribuir insumos e medicamentos.

Em situações de calamidade com risco à vida, porém, o ministério diz que pode apoiar o abastecimento de itens como cilindros de oxigênio, seja usando seu poder de compra emergencial, seja com apoio logístico das Forças Armadas para o reabastecimento.

Os nomes dos 12 municípios que precisam de suporte não foram divulgados, assim como não foi informado se algum deles já recebeu reforço federal de insumos.

Como desdobramento, uma base regional da Força Nacional do SUS passou a funcionar em Manaus, em razão do aumento da demanda por atendimentos. Segundo o diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Stabeli, a base monitora a disponibilidade de insumos médicos nos municípios atingidos pela fumaça, para que o apoio chegue aos locais mais pressionados. “Estamos reforçando o apoio à organização dos serviços e mobilizando equipes para garantir que o cuidado chegue a quem precisa”, afirmou.

As equipes usam um painel interativo que reúne as demandas de saúde informadas pelos municípios. De acordo com informativo do Ministério da Saúde, 43 municípios já atualizaram os dados da ferramenta. A partir dessas informações, são definidas rotas e meios de transporte, com embarcações e aeronaves, para que as equipes deem resposta em no máximo 72 horas.

A de Manaus é a quarta base regional em funcionamento no país. A previsão é que outra unidade seja instalada ainda nesta semana em Porto Velho, para ampliar a capacidade de resposta aos efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde, incluindo os associados ao El Niño, que deve acentuar a seca na Região Norte nos próximos meses.

Combate ao fogo segue em paralelo

Enquanto a pasta da Saúde monitora os efeitos sobre a população, o Ibama mantém operações de prevenção e combate aos incêndios. O órgão enviou 290 brigadistas federais ao estado e conta com aeronaves do governo para ampliar a atuação.

A mobilização começou com o envio de 290 profissionais e seis aeronaves ao Amazonas, anunciado pelo presidente Lula: quatro aviões air tractor e dois helicópteros. Depois vieram dois KC-390 da Força Aérea Brasileira, em operação desde segunda-feira (13).

Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente divulgados na quarta-feira (14), o Ibama extinguiu 303 focos no estado. A emergência veio na esteira de uma escalada: o Amazonas somou 540 focos de incêndio em apenas 48 horas, e o governo federal passou a apontar ação criminosa.

Em 21 de outubro, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostravam 13 focos de incêndio florestal ativos nas 23 horas anteriores, e a força-tarefa que atua na região já havia feito cerca de 370 lançamentos de água.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) informa ainda que o Projeto de Combate a Incêndios e Desmatamento no Amazonas (ProAmazon) recebeu R$ 45 milhões do governo federal desde 2024 para equipar o Corpo de Bombeiros Militar do estado. Segundo a pasta, a verba se destina à compra de viaturas e equipamentos de segurança e à estruturação de bases de operação.